terça-feira, 14 de julho de 2015

Um vírus pode curar a surdez?

A surdez pode ser tratada com um vírus, dizem cientistas
  
Os cientistas dizem ter dado um passo significativo no sentido de tratar algumas formas de surdez depois de restaurar a audição em animais.

Defeitos no DNA de um bebê representam cerca de metade dos casos de perda auditiva no início da vida.
Um estudo com camundongos, publicado na revista Science Translational Medicine, mostrou que um vírus pode corrigir a falha genética e restaurar parcialmente a audição.

Os especialistas acreditam que os resultados desta pesquisa poderão resultar em novos tratamentos para surdez dentro de uma década.

Uma equipe americana e suíça, focou suas experiências nos minúsculos pelos dentro do ouvido, chamados ‘células ciliares’. Esses cílios convertem sons em sinais elétricos que são então interpretados pelo cérebro. Mutações no DNA pode fazer com que sejam incapazes de gerar os tais sinais elétricos impedindo a pessoa de ouvir.

Terapia viral

A equipe de pesquisa desenvolveu um vírus geneticamente modificado que pode infectar as células ciliadas e corrigir o erro.  Ele foi testado em camundongos com grau severo de surdez, que seriam incapazes, por exemplo, de notar que estão num show de rock  (com os níveis de ruído de cerca de 115 dB).

Embora as injeções de vírus nos ouvidos tenham resultado em uma significativa melhora, a técnica não foi capaz de restabelecer a audição totalmente.  Além de resgatar parte da audição dos animais, a experiência que durou cerca de 60 dias, demonstrou alterações no comportamento deles em resposta aos sons.
Dr. Jeffrey Holt, um dos pesquisadores do Hospital Infantil de Boston, declarou estar muito otimista com as pesquisas, embora reconheça que ainda é necessário cautela para se anunciar que foi encontrada a cura.  Ele reconhece no entanto a importância desta descoberta pois num futuro não muito distante este tratamento poderá utilizado para a surdez genética.

A equipe anda não está pronta para testes clínicos em humanos. No momento eles querem provar que o efeito positivo que obtiveram é duradouro. Eles já sabem que funciona por alguns meses, mas almejam uma solução que seja duradoura para toda a vida.

A terapia viral altera a maioria das células ciliadas internas do ouvido, mas não as células ciliadas externas.
Os cílios internos permitem que se possa ouvir o som, mas os cílios exteriores alterar a sensibilidade aos sons, de modo que o ouvido se torna mais sensível ao reconhecer ruídos mais sutis.

Personalizado

O estudo focou na reparação na mutação em um gene chamado TMC1, que está por trás de cerca de 6% da surdez que é passada de maneira hereditária. No entanto, existem mais de 100 genes já identificados que estão associados à surdez.

Segundo o Dr. Holt, é possível se antever um dia no qual poderemos sequenciar o genoma do deficiente auditivo e então prover um tratamento sob medida restaurando-lhe a audição.
Contudo, adultos que perderam a audição devido a exposição de sons demasiados altos, não poderão se beneficiar dessa terapia.

O Dr. Tobias Moser do Centro Médico da Universidade de Gottingen, na Alemanha, afirmou que resultados são realmente promissores e que a restauração da audição para algumas formas de surdez poderá estar disponível na próxima década.

A cientista britânica, professora Karen Steel, que trabalha no Kings College de Londres, afirmou que este trabalho representa um avanço realmente excitante no nosso entendimento do que poderia ser alcançado usando a técnica de transferência de genes no ouvido interno para reduzir o impacto de mutações genéticas que levam a perda da audição: "Neste momento, a função auditiva é apenas parcialmente resgatada, mas este é um começo e presumivelmente a metodologia poderia ser desenvolvida para melhorar o resultado."

O Dr. Ralph Holme, diretor de pesquisa biomédica na instituição Action on Hearing Loss afirmou que o diagnóstico genético de perda auditiva tem melhorado muito nos últimos anos, permitindo que as crianças e suas famílias entendam a causa de sua surdez e possam prever como ela pode mudar ao longo do tempo. No entanto, os tratamentos ainda estão limitados a aparelhos auditivos e implantes cocleares.

Estes resultados são encorajadores na medida que abrem as portas para outras terapias genéticas, fornecendo a esperança para as pessoas com certos tipos de perda auditiva genética. A esperança é que essa terapia genética possa estar disponível em um futuro não muito distante.


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