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quarta-feira, 10 de outubro de 2007

O Haver - Poesia de Vinícius de Moraes





Aqui está um texto muito legal de Vinícius de Moraes, que eu considero um dos maiores gênios da literatura que já pisaram neste planeta.
O texto que já estava semi-esquecido em minha memória cada vez mais fraca e eu recebi por e-mail outro dia de um amigo.
Depois achei esse vídeo no Youtube e não resisti em publicá-lo aqui.
O violão que é ouvido no fundo além e alguns vocalises são executados por Edu Lobo. fantástico. Profundo. Genial.
Nesse mundo repleto de pressa e frivolidades permanentes, vale a pena parar,ler, escutar e refletir sobre este poema.

O Haver - Vinicius de Moraes
Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
essa intimidade perfeita com o silêncio.
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo.
Perdoai: eles não têm culpa de ter nascido.
Resta esse antigo respeito pela noite
esse falar baixo
essa mão que tateia antes de ter
esse medo de ferir tocando
essa forte mão de homem
cheia de mansidão para com tudo que existe.
Resta essa imobilidade
essa economia de gestos
essa inércia cada vez maior diante do infinito
essa gagueira infantil de quem quer balbuciar o inexprimível
essa irredutível recusa à poesia não vivida.
Resta essa comunhão com os sons
esse sentimento da matéria em repouso
essa angústia da simultaneidade do tempo
essa lenta decomposição poética
em busca de uma só vida
de uma só morte
um só Vinícius.
Resta esse coração queimando
como um círio numa catedral em ruínas
essa tristeza diante do cotidiano
ou essa súbita alegria ao ouvir na madrugada
passos que se perdem sem memória.
Resta essa vontade de chorar diante da beleza
essa cólera cega em face da injustiça e do mal-entendido
essa imensa piedade de si mesmo
essa imensa piedade de sua inútil poesia
de sua força inútil.
Resta esse sentimento da infância subitamente desentranhado
de pequenos absurdos
essa tola capacidade de rir à toa
esse ridículo desejo de ser útil
e essa coragem de comprometer-se sem necessidade.
Resta essa distração, essa disponibilidade,
essa vagueza de quem sabe que tudo já foi,
como será e virá a ser.
E ao mesmo tempo esse desejo de servir
essa contemporaneidade com o amanhã
dos que não tem ontem nem hoje.
Resta essa faculdade incoercível de sonhar,
de transfigurar a realidade
dentro dessa incapacidade de aceitá-la tal como é
e essa visão ampla dos acontecimentos
e essa impressionante e desnecessária presciência
e essa memória anterior de mundos inexistentes
e esse heroísmo estático
e essa pequenina luz indecifrável
a que às vezes os poetas tomam por esperança.
Resta essa obstinação em não fugir do labirinto
na busca desesperada de alguma porta
quem sabe inexistente
e essa coragem indizível diante do grande medo
e ao mesmo tempo esse terrível medo de renascer
dentro da treva.
Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
de refletir-se em olhares sem curiosidade, sem história.
Resta essa pobreza intrínseca, esse orgulho,
essa vaidade de não querer ser príncipe senão do seu reino.
Resta essa fidelidade à mulher e ao seu tormento
esse abandono sem remissão à sua voragem insaciável.
Resta esse eterno morrer na cruz de seus braços
e esse eterno ressuscitar para ser recrucificado.
Resta esse diálogo cotidiano com a morte
esse fascínio pelo momento a vir, quando, emocionada,
ela virá me abrir a porta como uma velha amante
sem saber que é a minha mais nova namorada.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

"Tyger", Excelente Curta Metragem de Guilherme Marcondes baseado em poema de William Blake



Curta Metragem "Tyger"
Direção: Guilherme Marcondes
Roteiro:Guilherme Marcondes e Andrezza Valentin
Inspirado no poema "The Tyger" de William Blake
Música:Banda Zeroum

O poema de Blake serve de inspiração neste interessante viagem de um tigre pelas ruas de São Paulo.

GUILHERME MARCONDES começou como ilustrador em 1998, trabalhou com animações no estúdio Lobo Filmes por 5 anos. Desenvolveu como diretor e animador trabalhos para Diesel, Cartoon Network, Nickelodeon e MTV.

Abaixo o poema do grande poeta americano William Blake que inspirou o curta metragem:
The Tiger William Blake

Tiger, tiger, burning bright,
In the forest of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?

In what distant deeps or skies
Burnt the fire of thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand dare seize the fire?

And what shoulder, and what art,
Could twist the sinews of thy heart?
When thy heart began to beat,
What dread hand forged thy dread feet?

What the hammer? What the chain?
In what furnace was thy brain?
What the anvil? What dread grasp
Dared its deadly terrors clasp?

When the stars threw down their spears
And watered heaven with their tears,
Did He smile his work to see?
Did He who made the lamb make thee?

Tiger, tiger, burning bright,
In the forest of the night,
What immortal hand or eye
Dare frame thy fearful symmetry?

Mais informações sobre o diretor/animador/roteirista Guilherme Marcondes :

Site do Guilherme Marcondes

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