segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Formigas Criam Insetos Para Comer


As formigas da espécie Melissotarsus  incrivelmente produzem carne para seu próprio consumo criando insetos para o abate como se fosse gado.
Elas vivem sob cascas de árvores africanas, principalmente em países como Arábia Saudita, Costa do Marfim, África central (Burundi, Camarões, Congo),  África do Sul e em
Madagascar.

Já é sabido há muito tempo que muitas espécies de formigas praticam uma forma rudimentar de agricultura. Algumas reunem pedaços de folhas e os utilizam para cultivar uma saborosa espécie de fungo enquanto outras espécies "ordenham" uma excreção adocicada secretada por alguns insetos.


Essas atividades conhecidas das formigas são semelhantes as que os humanos desempenham nas fazendas por todo o mundo e dão a esses insetos a fama de serem árduos trabalhadores.

Mas, alguns biólogos como Scott Schneider, entomologista da Universidade de Massachussetts, acreditam que as formigas Melissotarsus são ainda mais especiais. Eles sustentam que estas formigas criam rebanhos de insetos com objetivo de obterem carne para seu sustento. Seria o primeiro exemplo de atividade pecuária não humana encontrada na natureza.  Mas os cientistas constataram algo ainda mais surpreendente: Os insetos que elas criam são também domesticados de forma semelhante a que encontramos em fazendas humanas.

Mas as formigas pecuaristas Melissotarsus não são nada fáceis de serem encontradas. Para se achar esses insetos de apenas 3 milímetros de comprimento que se escondem sob as cascas das árvores é preciso entender muito do assunto e saber exatamente o que se está procurando. Essas formigas passam grande parte de suas vidas dentro de um intrincado sistema de galerias que elas controem escavando as cascas das árvores africanas.

Esse tipo de habitat faz com que essas formigas  virem um dos pares de pernas para cima facilitando para que elas consigam manter a melhor posição tanto em relação ao teto quanto em relação ao chão dos túneis por onde trafegam.

Mas essas formigas não vivem sozinhas neste intrincado labirinto. As mesmas galerias que elas habitam são compartilhadas por algumas espécies de insetos ‘blindados’, (insetos da família Diaspididae semelhantes às Cochonilhas) que são assim conhecidos por excretarem uma espécie de cera que reveste seus corpos de forma a protegê-los. Eles portanto vivem e se reproduzem dentro das galerias construídas pelas formigas Melissotarsus.
Ou seja,  esses insetos se beneficiam da proteção natural que os túneis das formigas lhes proporcionam.
O preço dessa relação mútua para os insetos ‘blindados’  é normamente a secreção que eles fornecem às formigas (o ‘mel’ que as formigas ‘ordenham’ desses insetos citado no início deste texto).

Mas desde a década de 70, alguns pesquisadores tem sugerido que as essas formigas não só permitem a convivência com esses insetos, mas também controlam a população e também se alimentam deles.  Uma das razões para isso seria o fato de que alguns desses insetos não produzem a secreção suficiente para alimentarem as formigas.

Não haveria outra razão para que essas formigas mantivessem essa relação de tolerância com esses insetos dentro das galerias se eles não conseguem lhes  prover uma compensação. Essa pelo menos foi a conclusão de um relatório apresentado pelo pesquisador Scott Schneider numa reunião recente da Sociedade para o Estudo da Evolução, em Norman, Oklahoma, Estados Unidos.  Ele afirma que ninguém ainda presenciou a Melissotarsus comendo um inseto ‘blindado’  principalmente porque essas formigas prezam muito sua ‘privacidade’ e fecham rapidamente os acessos de suas galerias quando importunadas. Mas ele promete que fará análises minuciosas no organismo dessas formigas no próximo ano tentando identificar qual a origem de sua alimentação, se é essencialmente de origem vegetal ou animal.

Se as formigas estão de fato se alimentando desses insetos, elas podem o estar fazendo porque eles são mais fáceis de comer e podem ter criado o caso mais evidente de domesticação de animais por outros animais jamais constatado na natureza anteriormente, concluiu Schneider.
Crédito da imagem: California Academy Sciences

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