terça-feira, 19 de agosto de 2008

Livro polêmico mostra o horror da guerra

O livro 'War Surgery in Afghanistan and Iraq: A Series of Cases, 2003-2007' (Cirurgia nas Guerras no Afeganistão e do Iraque: Uma série de casos) está causando polêmica entre os militares americanos. Trata-se de uma coletânea de casos de cirurgias realizadas em pessoas feridas durante confronto militares na maioria soldados americanos, mas também incluindo Iraquianos, Afegãos e crianças.

O livro tem a intenção de apresentar novos métodos para tratamentos de feridos em situações que não são freqüentes no cotidiano normal dos hospitais mas que em zonas de conflito podem significar uma grande diferença na sobrevivência e recuperação de vítimas de explosões e ferimentos por armas de fogo.

O que tem chocado a opinião pública e criado controvérsia entre os militares americanos é a abordagem direta e chocante do livro que traz fotos de pessoas dilaceradas, rostos queimados, ferimentos sangrando e outras imagens de conflitos que em alguns casos ainda não terminaram.

Nos casos apresentados há mais vítimas feridas por explosões do que por balas e algumas por estarem protegidas por coletes a prova de balas sobrevivem ficando mutiladas. As técnicas de tratamento abordadas no livro dão detalhes de avanços importantes no tratamento de amputações e ferimentos graves causados num campo de batalha principalmente porque este tipo de experiência não é comum para cirurgiões em geral.

Traumas causados por explosões violentas, queimaduras e objetos que penetram o corpo de vítimas de todas as idades são situações freqüentemente mostradas no livro e as técnicas apresentadas, embora levem algum tempo para serem assimiladas podem dar uma grande contribuição para o tratamento das vítimas.

O livro foi concebido para ensinar técnicas para substituírem antigas práticas até então adotadas.

Um exemplo é o tratamento de pacientes graves administrando solução salina para tentar restabelecer a pressão a 120. Segundo os autores Fazendo isso resulta em problemas na coagulação sangüínea, na temperatura do corpo resultando em mais sangramento. Ao invés disso eles trariam a pressão apenas até 80 ou 90 com plaquetas e hemácias extras promovendo a coagulação.

Entre outras dicas importantes está a sugestão de que a cirurgia inicial de casos graves não pode ser de longa duração. Apenas para controlar a hemorragia e infecções graves. No momento seguinte o paciente deve ser conduzido para um tratamento intensivo para que seja aquecido, restabelecida a pressão arterial e o equilíbrio eletrolítico. Posteriormente o paciente seria levado então a um hospital com mais recursos para dar continuidade ao tratamento.

Além das fotos que ilustram lesões graves há no livro imagens de pacientes recuperados, como um iraquiano que teve o maxilar destruído e refeito, um soldado que perdeu a metade do crânio sorrindo durante um jantar com sua família, um soldado que teve a face reconstruída e aparentando estar muito bem um ano depois.

Mas alguns oficiais não aceitam que sejam mostradas fotos de veículos militares em chamas nem rostos de qualquer soldado americano ferido sob a alegação de proteção à privacidade dessas pessoas. Outra preocupação dos militares em relação ao livro é que as cenas chocantes dos horrores da guerra podem ser usadas politicamente contra o governo.

Os autores no entanto, argumentam que os casos e fotos expostos no livro são motivos de orgulho para os militares envolvidos e todos foram publicados por meio de autorização sejam americanos, iraquianos ou afegãos.Além disso as fotos da guerra foram obtidas até cinco anos atrás já tendo sido algumas publicadas em jornais e revistas. Ainda segundo os autores esse é um livro médico que pode salvar vidas e que deveria estar a disposição de civis em especial cirurgiões.

Via: http://www.iht.com/articles/2008/08/04/america/wounded.php

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