terça-feira, 31 de julho de 2012

Droga anticâncer se torna nova arma contra a AIDS

Droga anticâncer é capaz de tirar o vírus HIV de seu esconderijo

A primeira providência que o vírus HIV toma ao infectar uma pessoa é se esconder. Para isso ele se livra de algumas de suas partes ficando apenas com o essencial: seu código genético que ele consegue infiltrar em meio ao DNA do hospedeiro. Lá onde ele fica escondido, as drogas não conseguem afetá-los e esse é um dos motivos que faz com que seja tão difícil combatê-lo.
(imagem: sxc.hu)

Mas uma recente descoberta científica nos deixa bastante otimista que essa capacidade do vírus da AIDS de se esconder esteja prestes a ser solucionada.
Um artigo publicado na revista Nature informa que um grupo de organizações de pesquisa coordenadas pela Universidade da Carolina do Norte e que inclui a Universidade de Harvard, a Universidade da Califórnia, a Merck e o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos descobriu que uma droga utilizada para tratamento do câncer, o Vorinostat, pode ser usada para ativar o vírus HIV até então escondido tornando-o vulnerável a medicação.

O fato do vírus se esconder no organismo  faz com que as pessoas infectadas tenham que tomar medicamentos por toda a vida de modo que quando o vírus se exponha  ele não tenha tempo para se reproduzir ou infectar outras células.

O estudo utilizou oito homens HIV-positivos para receberem a droga Vorinostat. Os voluntários estavam até então num estágio considerado ‘controlado’  da infecção pelo HIV. Logo após eles receberem a medicação, eles tiveram nível de vírus no seu linfócitos medido pelos pesquisadores. Surpreendentemente o nível de vírus foi 4,5 vezes maior do que antes, o que embora a primeira vista pareça algo terrível, foi interpretado como se o HIV tivesse saído de seu esconderijo. Isso tornaria o vírus vulnerável a ação de outros medicamentos.

A importância de medir a presença do vírus em células do sistema imunológico é fundamental porque além de ser onde o vírus esconde é também nelas onde o HIV faz o seu maior estrago: sua reprodução destrói o linfócito deixando o corpo vulnerável. Estando enfraquecida,  a pessoa  torna-se presa fácil para chamadas infecções oportunistas  como a tuberculose, a pneumonia e alguns tipos de câncer.  Essas doenças são o que na verdade terminam por causar a morte.

Esse experimento foi apenas um primeiro passo que vem a se somar a tantas outras pesquisas que objetivam encontrar a cura para AIDS.



sábado, 28 de julho de 2012

Seriam os Corvos tão Inteligentes quanto as Crianças ?

Estudo mostra que alguns corvos são tão inteligentes quanto crianças menores de oito anos.

Uma das fábulas de Esopo conta a história de um corvo que, estando morrendo de sede,encontrou uma jarra com um pouco d’água no fundo  e,  como não conseguiu alcançá-la com o bico, passou a colocar pedrinhas dentro do jarro. A água então subiu até um ponto em que foi possível ao animal bebê-la.

Até então, essa fábula de Esopo era interpretada como uma lição de moral, onde nos é transmitida a idéia de que as dificuldades da vida aguçam sobremaneira nossa inteligência.

No entanto, estudos recentes evidenciam  uma interpretação bem mais direta: Ainteligência dos corvos se assemelha à inteligência dos seres humanos em sua etapa inicial da vida.
Isso ficou evidenciado nos resultados de estudos apresentados pelo professor Nicola Clayton e seus colegas do Departamento de Psicologia Experimental da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Os pesquisadores constataram que os corvos e as crianças menores de oito anos resolvem o problema apresentado na fábula de Esopo com a mesma eficácia: na quinta tentativa.

Em defesa de nossa espécie temos que acrescentar que a partir da idade de oito anos as crianças resolvem o problema na primeira tentativa.

Ao aplicarem outro teste semelhante nos corvos, em que um verme era colocado na água  no fundo de um jarro, as  aves aplicaram a mesma técnica eficiente de colocar pedras no recipiente. Mas algo realmente intrigante aconteceu quando, ao invés de colocarem água, colocaram serragem no fundo do jarro. O animal parecia saber que colocar pedras no jarro para tentar trazer o verme até em cima não adiantaria nada e nem sequer tentou.
Ficou evidenciado que os corvos não resolvem o problema meramente por tentativa e erro.

Além disso, quando disponibilizaram pedras grandes e pequenas, os corvos escolheramas pedras maiores para ganharem tempo na tarefa.  Os animais preferiram também utilizar as pedras de verdade, em vez de blocos de poliestireno colocados juntos às pedras. Os blocos de poliestireno,  flutuam na água e seriam de pouco ou nenhuma utilidade para essa função.
Como o Poliestireno não existia na época que Esopo escreveu suas fábulas ou mesmo durante os séculos de evolução dos corvos, a decisão de optar por pedras de verdade corresponde a uma habilidade cognitiva e não seria apenas mero instinto.

Embora os corvos e as crianças pequenas mostrem-se similarmente eficazes na resoluçãode de certos problemas, a forma como eles aprendem parece bastante distinta. Isso pode ser verificado quando os cientistas deste estudo manipularam o teste de forma que a situação apresentada fosse impossível de acontecer no mundo real.Quando isso aconteceu, os corvos não foram capazes de usar  a experiência que tiveram para aplicá-la em testes subsequentes.  Eles parecem ter uma certa "compreensão"  instintiva das leis da física, e as experiências que não se encaixam nessas regras não servem para aumentar os seus conhecimentos.
Já as crianças possuem uma forma mais prática de aprender: o que funciona, funciona, mesmo que ela não compreenda bem por que.

Estudos anteriores sobre a inteligência dos corvos

Uma espécie de corvo que habita a ilha de Nova Caledônia, no Oceano Pacífico,  que possui o nome científico de moneduloides Corvus,  é capaz de fabricar ferramentas complexas. O animal consegue utilizar galhos, folhas ou até mesmo arames, para construir instrumentos que lhe auxiliem a ter acesso a alimentos.
Segundo o pesquisador argentino Alex Kacelnik,  essa espécie de corvo consegue realizar essa proeza "com mais precisão do que um primata". Ele é chefe do Departamento de Ecologia Comportamental da Universidade de Oxford,  Reino Unido, e um dos biólogos que mais tem se dedicado a estudar esses animais.

Outro pesquisador,  o zoólogo neozelandês Gavin Hunt,  em 1996, já havia constatado essas habilidades surpreendentes dessas aves ao pesquisá-las em seu habitat natural,  as florestas de uma ilha do arquipélago da Melanésia, no Oceano Pacífico.

Em 2006, cientistas da universidade de Oxford descobriram que esses corvos conseguem demonstrar essas mesmas habilidades quando mantidos também em cativeiro. Eles também conseguiram constatar que em corvos jovens esse comportamento é herdado.
Segundo Kacelnik  declarou na época,  "Eles mostram uma tendência natural para resolver problemas físicos, utilizando ferramentas". Além disso, esses animais teriam também a capacidade de aprender tanto com outros corvos quanto no contato com seus tratadores humanos. O resultado de suas pesquisas  foram publicados na revista Science e Nature.

Num experimento registrado em vídeo,  realizado  por estes cientistas, é dada uma missão a uma fêmea de nome Betty,criada em cativeiro: ela tem que conseguir pegar comida num lugar de difícil acesso.

No experimento, o alimento foi colocado num pequeno cesto que tinha na parte superior uma alça. O cesto foi colocado na vertical num cilindro de forma que para conseguir obter o alimento o animal teria que puxar o cesto pela alça.

Depois de tentar colocar a cabeça no tubo sem conseguir alcançar a alça, Betty se fixa num pedaço de arame colocado perto pelos pesquisadores. Ela  o pega com o bico e tenta introduzi-lo no tubo porém sem conseguir. 
Então ela busca um ponto de apoio para uma das pontas do arame e, forçando com o bico, o entorta criando uma espécie de gancho.  A ferramenta então é utilizada por ela para puxar a alça e o cesto obtendo o pedaço de carne como recompensa.

Segundo Kacelnik,  esses animais  "são capazes de conceituar os problemas, de entender em algum nível primitivo, talvez através de uma imagem mental". Ele classificou a habilidade de Betty como "capacidade de inferência lógica"  pois o animal,diante de uma situação nova para ela,  identifica um problema, cria um plano para solucioná-lo e o executa de forma adequada.
Em alguns casos, ela começou a usar o gancho criado com uma outra função: remover a carne da base onde estava presa.

Em outra experiência, Betty é colocada numa situação em que para acessar o alimento ela precisa usar uma ferramenta que passe por um orifício numa cobertura transparente. 
Alguns galhos foram deixados propositalmente perto do animal para testar seu comportamento. Ela pega um dos galhos e tenta colocá-lo no orifício mas então constata que ele é muito grosso. Sem hesitar, ela passa a desbastar o galho com o bico para diminuir  seu diâmetro.

Na primeira tentativa ela não consegue pois o galho continua ainda muito grosso.Mas ela então segue desgastando o galho com bico até que consegue fazê-lo ficar no diâmetro correto. Assim que o galho passa pelo buraco ela consegue obter o alimento.

O biólogo argentino chama a atenção para o que classificou como uma‘demonstração de raciocínio matemático na tomada de decisões.  Isso foi fundamental para que o animal  conseguisse adaptar o diâmetro do ramo para cumprir a tarefa com êxito.

A construção de ferramentas até então era tida até pouco tempo atrás, no mundo animal, como uma exclusividade dos primatas. Segundo o cientista,  é errado pensar  que os pássaros e outros animais apenas  reproduzem comportamentos herdados como a construção do ninho. Em suas pesquisas ele descobriu que corvos mais selvagens produzem instrumentos ainda mais sofisticados do que aqueles criados em cativeiro.

Conforme explicou o pesquisador, embora os corvos da espécie Moneduloides Corvus sejam os únicos a demonstrarem tamanha capacidade, outras espécies demonstram uma inteligência "bastante versátil".

Alguns conseguem levar em conta a perspectiva de outros corvos para planejar suas ações. Eles são capazes de esconder a comida e quando percebem que outros colegas o viram escondê-la,eles a trocam de lugar assim que ele possível espertalhão sai de perto. E ainda mais surpreendente é o fato de que aqueles corvos que tomam mais precauções foram justamente os que já roubaram comida dos outros. Esse comportamento também não é bastante parecido com os dos humanos?

Combinando Várias Ferramentas

Um outro estudo realizado na Universidade de Oxford  em 2009 já havia demonstrado que a inteligência dos corvos é realmente surpreendente.

Numa experiência que foi inclusive filmada  sete  corvos demonstram um comportamento bastante interessante: sem terem sido treinados para tal,  elas conseguem executar uma sequência em que usam sucessivamente três ferramentas de tamanhos diferentes até conseguirem pegar o alimento.

Os autores do estudo chamam a atenção para o fato de que ainda que os corvos, ao utilizarem três ferramentas consecutivamente, superem a capacidade de qualquer animal não-humano, incluindo os primatas, este estudo realça a importância de ter-se cautela na comparação entre as capacidades cognitivas.

Um comportamento aparentemente bastante inteligente pode ser alcançado sem que isso implique necessariamente em um nível elevado de faculdades mentais. Há portanto a necessidade de uma análise bastante criteriosa e detalhada antes de aceitarmos que determinado teste demonstra uma maior capacidade intelectual de uma espécie.

Fontes e Vídeos disponíveis nos links abaixo:
http://www.ox.ac.uk/media/news_stories/2009/090805_1.html
http://sociedad.elpais.com/sociedad/2009/08/06/actualidad/1249509613_850215.html

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Twitter vai permitir baixar tweets antigos

Atualmente, o microblog Twitter nos deixa rever apenas os últimos 3.000 tweets postados por conta de usuário. Mesmo que haja alguns truques para burlar essa limitação, esta tem sido uma das principais queixas dos usuários do Twitter. De fato, essa é uma limitação que não parece fazer nenhum sentido e seria legal poder ter acesso a todos os tweets já postados.
Dick Costolo, apesar de não fixar uma data de lançamento, confirmou que os desenvolvedores já estão programando uma nova ferramenta que vai permitir baixar um arquivo com todos os tweets já escritos pelo usuário. A ferramenta deverá disponibilizar apenas os próprios tweets do usuário, o que impedirá que se faça pesquisas nos prováveis bilhões de tweets já publicados.
Ainda que ele não tenha dado muitos detalhes sobre essa nova ferramenta do tweeter já é alentador saber que ela poderá estar disponível nos próximos meses.

No momento, a Biblioteca do Congresso Americano e o Gnip são as únicas organizações que estão autorizadas a ter acesso aos tweets antigos.



terça-feira, 24 de julho de 2012

Identificada Doenca misteriosa Que Mata Crianças no Camboja




Investigações realizadas pela OMS e do Ministério da Saúde do Camboja desvendaram a causa de um misterioso surto que já matou mais de 50 crianças este ano.

Um número incomum de crianças tem morrido cerca de um dia após darem entrada no hospital por uma ‘doença misteriosa’ agora identificada no Camboja.


descober As autoridades de saúde concluíram que a causa seria uma estirpe severa do enterovirus 71 (EV-71),  responsável pela síndrome da mão, pé e boca agravada pelo incorreto tratamento que os pacientes receberam.

Desde abril, cerca de 60 crianças, na maioria com menos de 3 anos de idade,  foram afetadas e mais de 50 morreram após apresentarem os mesmo sintomas sem que os médicos tivessem identificado qual era a doença.

No último dia 13 de Julho (2012) na cidade de Phnom Penh,  funcionários da Organização Mundial de Saúde (OMS)  e do Ministério da Saúde do Camboja relataram que as investigações sobre a causa das mortes concluíram que elas se deram devido a uma "forma grave" da doença da mão, pé e boca (DMPB). Entre os casos em que foi possível recolher amostras a maioria apresentou resultados positivos para enterovirus 71 (EV-71), uma cepa bastante difundida às vezes extremamente letal deste vírus.

Nima Asgari, especialista em saúde pública da OMS, declarou recentemente numa entrevista  esta variante do EV-71, nunca havia sido vista no Camboja:
”Isso não significa que ele não estava aqui, só que nós nunca o tínhamos detectado. Ao considerarmos que ele já foi identificado na China, Taiwan, Tailândia, Malásia, não é surpreendente vê-lo por aqui. É realmente uma doença muito difundida em muitos países do mundo.”

Milhões de casos têm sido identificados na região desde 1970. Esta doença geralmente é leve e a maioria dos pacientes se recuperam dentro de um pouco mais de uma semana. Apenas um número reduzido de pacientes necessita de tratamento hospitalar. As crianças tem sido as principais vítimas nos surtos das formas mais graves da DPMB.

Segundo a OMS, somente nos primeiros 5 meses do ano  29 pessoas morreram de EV-71 no Vietnã  e 244 na China.

Apenas no Camboja, pelo menos 54 crianças morreram da doença desde abril. No mês de junho,  o diretor dos Hospitais da Criança Kantha Bopha, Beat Richner,  alertou o Ministério da Saúde para o surto solicitando uma investigação. Na ocasião ele já alertou que havia observado que pouco antes de morrer a maioria dos pacientes haviam sido submetidos a exames de raio-x e tomografia computadorizada. A análise destes exames havia demonstrado destruição dos alvéolos pulmonares.

"Eles estavam sofrendo de uma encefalite e nos últimos 6 horas eles desenvolvem uma pneumonia mais grave” relatou Richter na ocasião.

Na forma mais branda da DMPB, os principais sintomas são febre, falta de apetite, e a formação característica de bolhas revelador sobre as palmas das mãos, nas plantas dos pés e na boca. Sintomas mais graves como falta de are convulsões também podem ocorrer em casos mais graves.

A OMS e o Ministério da Saúde do Camboja focaram a investigação em 61 casos. Entre os mortos estavam crianças entre 3 meses e 11 anos, sendo a média 2 anos de idade. Mais da metade dos pacientes eram do sexo masculino.

A desnutrição e a falta de tratamento médico adequado teriam contribuído para o agravamento dos casos que resultaram fatais.
"Um número bastante significativo de casos haviam sido tratados com esteróides em algum momento da doença. Já foi evidenciado que uso de esteróides pioram a condição dos pacientes com EV-71" afirmaram representantes da OMS ao comunicarem suas descobertas.

Daqui prá frente as unidades de saúde foram alertadas para evitar o tratamento com esteróides.  Outras medidas como cursos de formação para os médicos para que saibam tratar adequadamente pacientes com as formas moderadas ou graves da DMPB estão também em andamento além de campanhas de esclarecimento ao público em geral para evitar a doença.

A transmissão da doença se dá pelo contato direto através da ingestão do vírus, normalmente proveniente de fezes contaminadas.
Daí a necessidade dos cuidados de higiene, sobretudo lavar as mãos antes de se alimentar, cozinhar ou depois de dar banho em crianças. Alimentos mal lavados ou ou mal cozidos também podem conter o vírus.

No momento, os casos parecem ter diminuído, mas o Ministério da Saúde ea OMS alertaram profissionais de saúde a ficarem atentos.

O tratamento da DMPB no momento é feito com base nos sintomas. Enquanto isso, já existem pesquisas em andamento para o desenvolvimento de uma vacina. Duas empresas pelo menos já estão realizando testes clínicos com vacinas destinadas ao vírus EV-71.

Representantes da companhia biofarmacêutica chinesa Sinovac declararam que que eles já vacinaram 10 mil crianças como parte de seus ensaios.
Outra empresa, a norte-americana Inviragen anunciou em Março que já obteve respostas imunológicas positivas com sua vacina durante ensaios clínicos realizados recentemente.


Imagem: Corbis


quarta-feira, 18 de julho de 2012

O Custo da Pílula de Prevenção a AIDS e o Alto Custo do Tratamento- Truvada


Na última segunda-feira (16-07-2012) a FDA (Agência Federal de Alimentos e Medicamentos) dos Estados Unidos aprovou a utilização da primeira pílula para ajudar a prevenir a AIDS. Com o nome comercial de Truvada, a pílula do laboratório Gilead Sciences deverá ser utilizada principalmente por pessoas consideradas em grupos de risco.
No anúncio da FDA foi declarado que "O Truvada deverá ser utilizado na profilaxia prévia à exposição ao HIV,  em combinação com práticas de sexo seguro, visando prevenir as infecções por via sexual em adultos de alto risco. O Truvada é portanto o primeiro remédio aprovado com esta indicação".
Encontrado no mercado farmacêutico desde 2004, nos Estados Unidos,  esse medicamento já vinha sendo utilizado em combinação com outros anti-retrovirais no tratamento de portadores do vírus HIV. Ele na verdade é uma combinação de outras duas drogas mais antigas o Emtriva e o Viread receitadas pelos médicos como parte de um coquetel de medicamentos que visam dificultar a proliferação do vírus e consequentemente reduzindo o desenvolvimento da doença.
A autorização da FDA para que este medicamento seja indicado agora também para pessoas que não sejam portadoras do vírus da AIDS, no sentido de auxiliar na prevenção contra a infecção, é resultado de testes clínicos que demonstraram que ele pode reduzir o risco de contaminação pelo HIV de 44 a 73% em homens homossexuais sadios. A aprovação permite que o fabricante do medicamento possa vendê-lo formalmente segundo condições pré-estabelecidas pelo órgão americano.  Nos Estados Unidos, os médicos a partir de agora estão autorizados a prescrever o Truvada a grupos de alto risco como prostitutas ou casais que tenham um dos parceiros soropositivo.
O principal estudo a indicar a eficiência desta droga também na prevenção da infecção pelo HIV foi  publicado em 2010 no New England Journal of Medicine. Os cientistas analisaram informações sobre 2499 homens selecionados para tomar uma dose diária do Truvada. Todos mantiveram relações homossexuais. Alguns dos participantes tomaram um medicamento sem nenhum efeito (placebo). Entre os que tomaram regularmente o Truvada a redução das infecções pelo HIV foi de quase 73%. Esses resultados pela primeira vez demonstram que um medicamento já autorizado pela FDA foi capaz de diminuir a probabilidade de contrair o vírus HIV.
Apenas nos Estados Unidos 50 mil americanos são diagnosticados portadores do vírus HIV todo ano. A comissária do FDA, Margaret A. Hamburg  classificou a aprovação do Truvada como um "importante marco na luta contra o HIV".
No entanto, o próprio FDA alerta que o medicamento sozinho é incapaz de evitar a doença. É importante que as pessoas continuem utilizando os métodos já conhecidos como a camisinha.
O  infectologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ricardo Shobbie Diaz, afirmou a revista Veja  que,  os estudos mais conclusivos até o momento se referem  a homens que mantém relações sexuais com homens, portanto a droga deverá inicialmente ser indicada para esse grupo.
Enquanto uma boa parte dos cientistas comemora,  essa aprovação tem sido rejeitada por alguns grupos de prevenção da Aids, como a Aids Healthcare Foundation, dos Estados Unidos. A organização defende a idéia de que se for usado de forma contínua o medicamento poderá causar a falsa sensação de segurança o que faria as pessoas a abandonarem métodos de prevenção mais eficazes como o uso de preservativos.Os efeitos colaterais provocados pelo Truvada  em geral são vômitos, diarréia e tontura, sendo que há casos também relatados de intoxicação hepática e alteração das funções renais.

O Custo do Tratamento


Uma outra questão importante que vem a tona é a respeito do alto custo dos medicamentos  para portadores do HIV. Kevin Robert Frost, executivo da fundação de pesquisa da AIDS amfAR, declarou que “Aparentemente, poder prevenir o HIV com uma pílula é algo maravilhoso. Mas se você  olhar com mais detalhe as coisas começam a se tornar mais complicadas. Quando eu chego à questão de quem vai pagar por isso eu fico completamente aturdido. Na maioria dos países em desenvolvimento eles não conseguem nem dar medicamento para aqueles que já são HIV positivos.”
O portador do vírus da AIDS caso não seja tratado, pode ter seu sistema imunológico completamente comprometido. A doença matou 1,8 milhão de pessoas somente em 2010.
Conforme a UNAIDS, programa das Nações Unidas sobre HIV / AIDS, em países de baixa e média renda, apenas 6,6 milhões de pessoas, entre as 15 milhões que precisavam de tratamento, receberam o coquetel de drogas. A medicação é essencial para que essas pessoas possam prolongar suas vidas reduzindo o vírus a níveis indetectáveis.
Para conseguir medicar as pessoas já infectadas seriam necessários um acréscimo de mais 6 bilhões de dólares em cima dos 16 bilhões gastos para combater o vírus no ano passado.
No Brasil, o Ministério da Saúde informa que a inclusão deste medicamento no coquetel distribuído para portadores do HIV já foi analisada há dois anos e não foi encontrada uma justificativa para a troca das drogas. A utilização do Truvada encareceria bastante o custo do coquetel distribuído pelo Ministério da Saúde. No entanto como a droga já é devidamente registrada no país, ela pode ser receitada e comercializada normalmente por aqui.
Francois Venter,  executivo do Wits Reproductive Health and HIV Institute em Johanesburgo, África do Sul,  afirmou que também ficou bastante animado com o anúncio em 2010 de que o Truvada poderia diminuir o risco de contaminação pelo HIV em pessoas saudáveis. Mas desde então ele diz que tem conseguido preescrever o medicamento como medida de prevenção a um restrito grupo de pacientes que podem arcar com o custo de 480 dólares ao ano. Em seu país quase 1 terço da população vive com menos de 2 dólares por dia o que torna essa medicação fora de cogitação.
Nos Estados Unidos, onde a média de renda  das famílias é mais de 51 mil dólares ao ano, sendo que a maioria dispõe de convênio medico,  a perspectiva é bem diferente.  A droga agora passa efetivamente a ser encarada como um importante aliado na prevenção da AIDS.
Ken Mayer, diretor do centro médico do Fenway Institute em  Boston afirmou que “há pessoas em tratamento conosco que estão no grupo de alto risco. Eu realmente acho que a partir de então poderemos nos tornar mais eficientes ao protegê-los para que não sejam infectados.”
Para fazer o mesmo na África e na Ásia isso custaria bilhões de dólares aos cofres públicos.

Questões Éticas

Para Venter, muitos países não tem dinheiro sequer para medicar as pessoas já infectadas, sobretudo na África e na Ásia. Nesse sentido, colocar a prevenção acima do tratamento não faz sentido sobre o ponto de vista econômico nem seria eticamente responsável.
O pesquisador Timothy Hallet do  Imperial College of London estimou que em países com uma alta incidência de portadores de HIV,  teriam que ser tratadas pelo menos de 50 a 100 pessoas para se conseguir prevenir apenas uma infecção.  Em outro estudo ele concluiu que  em Kisumu, no Quênia, onde 1 em cada 10 adultos estão infectados , haveria um custo de 14 a 20 mil dólares para prevenir apenas uma infecção assumindo que fosse dado o remédio Truvada diariamente para a metade dos indivíduos com alto risco de infecção.  
O custo e a complexidade para administrar esse novo medicamento como medida de prevenção para milhões de pessoas  seriam muito altos.
O laboratório Gilead já vende o Truvada em países menos desenvolvidos praticamente sem lucro. Eles também cederam os direitos para que fabricantes de medicamentos genéricos da Índia possam vender o remédio. Estas medidas fazem parte de uma estratégia da empresa para ajudar a diminuir o preço em 112 países,  segundo informou Cara Miller, porta-voz  da Foster City, empresa sediada na Califórnia que é líder na fabricação de drogas para tratamento da AIDS.

Segundo ela, o tratamento chega a ser vendido por um custo de apenas 8 dólares ao mês em alguns países pouco desenvolvidos.

Michel Alary, professor da Université Laval, em Quebec no Canadá, alerta que mesmo que houvesse bilhões de dólares disponíveis para fornecer Truvada a toda população de risco, a droga não seria uma panacéia resolvendo todos os problemas.  
Segundo ele, algumas pessoas não vão se lembrar de tomar a medicação diariamente, o que é essencial para que ele seja eficaz. Essa irregularidade no uso do Truvada poderia resultar em infecção por HIV e ainda piorar a situação a medida que poderia promover o desenvolvimento de variações mais resistentes do vírus.

A preocupação de Alary é que os usuários do Truvada possam ter uma falsa sensação de segurança por não compreenderem totalmente as propriedades da pílula.
Caso as pessoas parem de usar preservativos, e ainda não tomem a pílula regularmente todo dia elas ficariam expostas e isso poderia levar a um aumento nas infecções. Para ele é importante que os governos no momento continuem focando seus esforços em campanhas de conscientização sobre a importância do preservativo e do sexo seguro.


A Organização Mundial de Saúde (OMS),  está planejando emitir diretrizes indicando  o uso do Truvada como prevenção para homens que têm sexo com homens e também para casais em que um dos parceiros está comprovadamente infectado.
Gottfried Hirnschall, diretor do departamento de HIV da OMS informou que por enquanto, a OMS não está recomendando o uso da pílula em profissionais do sexo porque não há dados suficientes para comprovar que esse grupo seria beneficiado e que essas pessoas iriam tomá-lo regularmente.

Essas preocupações com o custo e o uso da pílula para prevenção da AIDS não são de todo desanimadoras. Anthony Fauci, que é diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas em Bethesda, Maryland,  afirma que há uma década, ouviu  muitas pessoas preocupadas a respeito do Plano de Emergência da Presidência dos EUA contra a AIDS. Hoje esse programa  já provê tratamento para 3,9 milhões de pessoas. Com muito trabalho, essas questões foram superadas, disse ele.
Imagens:
Divulgação e Lacy/Corbis

Fontes:




segunda-feira, 16 de julho de 2012

Primeiro Supermercado Virtual do Mundo



A rede de supermercados britânica Tesco,  uma das maiores varejistas do mundo, abriu na Coréia do Sul o que se pode chamar de primeiro supermercado virtual do mundo.
Com o objetivo de tornar-se a maior rede de supermercados da Coréia, onde atualmente ocupa o segundo lugar,  os executivos da Tesco tiveram uma idéia genial: Em vez de fazer os clientes irem até sua rede de supermercados eles resolveram levar as prateleiras até seus clientes.

Eles disponibilizaram prateleiras virtuais, onde o que se vê é apenas uma imagem dos produtos apresentados em telas de LCD.
Instalaram esses painéis que funcionam como lojas virtuais em  lugares como estações de metrô, onde o público pode escolher os produtos que deseja lendo o código de barras com seu telefone celular .

Ao finalizar a compra os produtos selecionados são automaticamente separados, embalados  e enviados para o endereço do cliente por um centro de logística que entrega as compras direto na porta do comprador.
Assista no vídeo acima esta genial novidade tecnológica...
Abaixo algumas imagens do supermercado virtual já em pleno funcionamento na Coréia do Sul:






Via buzzhunt

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