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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

O fim da miopia e do uso dos óculos?


Cientistas ingleses identificaram um gene que estaria envolvido no desenvolvimento da miopia. Esta descoberta abre caminho para novos tratamentos que previnam o surgimento da doença. A espectativa dos pesquisadores é tão boa que o chefe da equipe,  Dr. Chris Hammond  estima que em cerca de 10 anos a miopia poderia ser curada através de colírios.
"Nós já sabíamos há muitos anos que o fator mais importante para o risco de desenvolver miopia a medida que envelhecemos é o nosso histórico familiar. Se um dos pais ou ainda pior, os dois possuem essa deficiência visual então você tem uma chance consideravelmente maior de também tê-la. Só que até agora, nós não tínhamos identificado nenhum gene responsável por essa suscetibilidade" afirmou o Dr. Hammond em entrevista a BBC News.
A miopia, que faz com que a visão de objetos distantes pareça turva, geralmente começa na infância, e parece estar atingindo cada vez mais pessoas no mundo todo. No Reino Unido ela já afeta cerca de um em cada três adultos.
No estudo que durou cerca de 12 anos e que envolveu cerca de 4 mil gêmeos, pesquisadores do  King College de Londres identificaram o gene RASGRF1 como um dos que que tiveram variações compartilhadas por pessoas com miopia.
Considerando que um outro estudo nos Países Baixos encontrou um segundo gene que também atua na redução da visão,  o Dr Hammond considera que provavelmente existam vários genes responsáveis e que embora o gene identificado não seja ‘O gene da Miopia’, a descoberta certamente é um passo muito importante para a compreensão de como a doença se desenvolve.
A redução da visão na miopia ocorre porque o globo ocular cresce demasiadamente prejudicando a capacidade de concentrar a luz corretamente. Na maioria das crianças, quando o olho atinge o tamanho correto ele pára de crescer, já naqueles que irão desenvolver miopia o globo ocular continua crescendo.
O Dr Hammond acredita que colírios ou comprimidos adminsitrados à criança ou adolescente poderiam bloquear  por vias genéticas esse crescimento, embora tenham que ser feitos rigorosos testes para avaliar possíveis efeitos colaterais de um tratamento desse tipo.
Ele diz que embora a miopia seja geneticamente determinada,  ela é também disparada pela vida moderna. O tempo maior que as crianças tem dedicado a atividades dentro de casa,  e a utilização mais freqüente de computadores por exemplo poderia também estar relacionada ao aumento dos casos de miopia em todo o mundo.
Falta de atividade ao ar livre é um fator de risco assim como o excesso de atividades que envolvem visão a curta distância, tão comuns na sociedade moderna. Já é sabido que o aumento dos casos de miopia está relacionada com o tempo dedicado a educação e que sociedades de nível educacional elevado estão mais expostas ao problema. Sabe-se que, por exemplo, que em Singapura, 80% dos adultos têm miopia, e que esta alta incidência provavelmente esteja relacionada ao sistema de ensino intensivo.
Se vivêssemos numa sociedade que utilizasse basicamente a visão a distância como eram nossos antepassados, talvez a miopia não estaria atingindo números tão alarmantes como os atuais. O tratamento genético poderá reduzir bastante essa incidência já que os fatores da vida moderna são mais difíceis de serem evitados.
O Dr. Hammond contém a euforia daqueles que acham que essa descoberta estaria decretando o fim dos óculos no futuro, até porque ainda há a presbiopia que afeta a visão de curta distância e a qual não há ainda tratamentos cirúrgicos. Ele considera também que não será possível evitar a miopia em todos, levando em conta que há ainda outros genes envolvidos,  mas o que se espera é que essa descoberta represente um impacto importante para a maioria das pessoas.
As alternativas nos últimos anos para as pessoas que sofrem de miopia tem sido as lentes de contato e as cirurgias corretivas por laser.

Fonte: http://www.bbc.co.uk

sexta-feira, 7 de março de 2008

A Polemica da Lei da Biosegurança


No relatório do ministro Carlos Brito do Supremo Tribunal Federal, relator no caso da ação direta de Inconstitucionalidade proposta contra o artigo 5º da “Lei da Biossegurança”, são citados dois trechos pronunciados por cientistas que sintetizam a posição das partes que discordam quanto o que representa o embrião humano fertilizado in-vitro:

O primeiro é um trecho da explanação proferida pela Drª Mayana Zatz, professora de genética da Universidade de São Paulo:

“Pesquisar células embrionárias obtidas de embriões congelados não é aborto. É muito importante que isso fique bem claro. No aborto, temos uma vida no
útero que só será interrompida por intervenção humana, enquanto que, no embrião congelado, não há vida se não houver intervenção humana. É preciso haver intervenção humana para a formação do embrião, porque aquele casal não conseguiu ter um embrião por fertilização natural e também para inserir no útero. E esses embriões nunca serão inseridos no útero. É muito importante que se entenda a diferença”.

O segundo trecho citado pelo ministro relator é da Drª Lenise Aparecida Martins Garcia, professora do Departamento de Biologia Celular da Universidade de Brasília que repsenta a corrente que se opõe a Lei da Biosegurança no que se refere a pesquisa com células tronco de embriões fecundados em laboratório:

“Nosso grupo traz o embasamento científico para afirmarmos que a vida humana começa na fecundação, tal como está colocado na solicitação da Procuradoria. (...) Já estão definidas, aí, as características genéticas desse indivíduo; já está definido se é homem ou mulher nesse primeiro momento (...). Tudo já está definido, neste primeiro momento da fecundação. Já estão definidas eventuais doenças genéticas (...). Também já estarão aí as tendências herdadas: o dom para a música, pintura, poesia. Tudo já está ali na primeira célula formada. O zigoto de Mozart já tinha dom para a música e Drummond, para a poesia.
Tudo já está lá. É um ser humano irrepetível”.

Estes dois trechos mostram resumidamente que a discussão é muito ampla tendo todos os lados suas razões e justificativas sejam científicas, religiosas ou morais.

O artigo em discussão e que foi objeto da ação direta de inconstitucionalidade é esse:

“Art. 5o É permitida, para fins de

pesquisa e terapia, a utilização de células tronco

embrionárias obtidas de embriões humanos

produzidos por fertilização in vitro e não

utilizados no respectivo procedimento,

atendidas as seguintes condições:

I – sejam embriões inviáveis; ou

II – sejam embriões congelados há 3

(três) anos ou mais, na data da publicação

desta Lei, ou que, já congelados na data da

publicação desta Lei, depois de completarem 3

(três) anos, contados a partir da data de

congelamento.

§ 1o Em qualquer caso, é necessário

o consentimento dos genitores.

§ 2o Instituições de pesquisa e

serviços de saúde que realizem pesquisa ou

terapia com células-tronco embrionárias humanas

deverão submeter seus projetos à apreciação e

aprovação dos respectivos comitês de ética em

pesquisa.

§ 3o É vedada a comercialização do

material biológico a que se refere este artigo

e sua prática implica o crime tipificado no art.

15 da Lei no 9.434, de 4 de fevereiro de 1997.”


O argumento do autor da ação é de que esses dispositivos contrariam “a inviolabilidade do

direito à vida, porque o embrião humano é vida humana, e faz ruir fundamento maior do Estado democrático de direito, que radica na preservação da dignidade da pessoa humana”

Quem quiser ler na íntegra o relatório e voto do Ministro Carlos Ayres Brito pode baixar ou acessá-lo no seguinte endereço:

http://www.stf.gov.br/arquivo/cms/noticiaNoticiaStf/anexo/adi3510relator.pdf

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Criança sem cérebro completa um ano de vida desafiando as previsões

Fotos Celio Messias e Joel Silva/Folha Imagem


Amanhã, dia 20 de novembro a menina Marcela de Jesus Galante Ferreira vai completar 1 ano de vida. Ela é um bebê gordinho que ouve, sorri, reage à luz, senta-se normalmente, emite sons e tenta ficar de pé. Esses poderiam ser os indicativos de que Marcela fosse uma criança normal mas infelizmente não é.

Ela é portadora de uma anomalia congênita chamada anencefalia, ou ausência de cérebro, confirmada por exame de ressonância magnética feito na semana passada. Embora alguns especialistas ainda questionem o diaganóstico de anencefalia devido às atividades exercidas pela crianaça.


O bebê resiste resiste graças às funções básicas mantidas pelo tronco encefálico, a única estrutura do sistema nervoso de que dispõe. Composto de fibras nervosas, o tronco encefálico garante os batimentos cardíacos, a respiração e alguns movimentos de sucção. Nada mais. Os bebês anencéfalos, em geral, não duram mais do que três semanas. Marcela é um caso raro na medicina.

Seu caso estimula ainda mais o protesto de grupos anti-aborto já que a justiça permite a interrupção da gestação quando é diagnosticada a anencefalia. Marcela foi, inclusive, o símbolo de uma passeata antiaborto organizada em São Paulo, em março passado, que reuniu 5.000 fiéis católicos, espíritas e evangélicos. O geneticista Thomaz Gollop, especialista em medicina fetal do Hospital Albert Einstein afirma que "É impossível prever quanto o corpo da garotinha vai resistir. Mas é certo que a sua deformidade é absolutamente letal e, contra ela, não há escapatória".. Para a medicina, Marcela é apenas uma exceção por sua resistência acima da média esperada para casos similares.



O que ocorre na maioria dos casos como este é o falecimento do bebê apenas algumas horas após o nascimento. Seus pais, Cacilda e Dionísio, que são trabalhadores agrícolas na cidade de Patrocínio Paulista, no interior de São Paulo e nem sequer já tinham ouvido falar desse problema congênito. Apesar do diagnóstico confirmado por um exame de ultra-som de rotina, no quarto mês de gestação, a mãe negou-se a interromper a gravidez. Apesar da permissão do aborto de anencéfalos não estar prevista no Código Penal, a maioria dos juízes concede alvarás para a interrupção desse tipo de gestação. Por isso os médicos lhe deram uma semana para pensar.

Resoluta em levar adiante a gravidez aos pais da menina que são católicos fervorosos colocaram lhe o segundo nome 'de Jesus' .

"A partir daquele momento, ela nunca mais foi minha. Foi entregue a Deus", diz a mãe Cacilda.


Segundo a pediatra Márcia Beani a ressonância magnética também mostrou que todo o conduto auditivo da menina é bem formado e perfeito. Apesar de toda a polêmica envolvendo o caso de Marcela, a pediatra reaforma que trata-se comprovadamente de uma anecefalia mas não do tipo comum: "Ela é um bebê anencéfalo, essa região do cérebro dela está preenchida por líquido, mas não é um exemplo de anencefalia descrita na literatura médica porque ela, de alguma maneira, ainda interage com a mãe, com o ambiente e seu tronco encefálico realiza funções. Um caso clássico de má-formação não teria sobrevivido por tanto tempo ou estaria vegetando, o que não é o caso dela desde que nasceu." disse a pediatra.


Na ilustração ao lado a anencefalia é demonstrada na figura da direita




Ricardo Barini, coordenador do Programa de Medicina Fetal e Imunologia da Reprodução da Unicamp, afirma que embora a ressonância possa diagnosticar com precisão a anencefalia desde o útero, ela também apontaria a exsitência da membrana que reveste a cabeça de Marcela: "Na anencefalia a criança nasce com a cabeça totalmente aberta, mas se ela tem uma membrana que protege a parte superior e chega a ter cabelo na parte de baixo da cabeça, é outro tipo de má-formação, pode ser um diagnóstico mal concluído." observa o médico.

A mãe da menina é quem controla a alimentação de Marcela por sonda além de ter aprendido a colocá-la no concentrador de oxigênio, um aparelho elétrico em forma de capacete que aumenta a oferta de ar quando a criança tem dificuldade de respirar. O consumo de energia elétrica desse aparelho fez a conta de luz da casa saltar de 30 para 200 reais por mês.

Os médicos ficam surpresos com o desenvolvimento de Marcela pois ela já passou por três resfriados, convulsão e febre e chegou a receber uima transfusão sangüínea para combater uma anemia mas no entanto já está com 12 quilos, acima do esperado para um bebê da sua idade.

A família de Marcela que tem ainda mais duas irmãs mais velhas Débora, de 18 anos, e Dirlene, de 15 age como se o bebê não fosse diferente de outra criança normal. Além de estar em dia com as vacinações ela toma ferro e vitaminas, como qualquer criança da mesma faixa etária. Mesmo tendo os olhos cegos projetados para fora e de a parte superior da cabeça ser disforme, a família lhe tira fotos em que o bebê aparece usando um apenas um gorro.

"Minha filha é muito carinhosa. As pessoas ficam tão encantadas com ela que não ligam para o formato de sua cabecinha. Olha só as dobrinhas do braço. Ó o barrigão" diz a mãe.

Marcela se mexe e ergue o corpo tentando ficar em pé com frequência o que levou a médica a diminuir a quantidade de alimentos evitandoi o sobrepeso que prejudicaria ainda mais o bebê. Apesar da alimentação ser administrada por uma sonda, parte da papinha é dada na colher.


Hoje a menina está menos dependente do capacete de oxigênio para respirar, chegando a ficar 12 horas sem o aparelho.

Na Holanda, no início dos anos 2000 a opinião pública se dividiu em relação ao caso de uma menina chamada Anna que nasceu com graves malformações do cérebro e da coluna vertebral. Quando fez 4 semanas de vida seus pais pediram aos médicos que a vida dela fosse interrompida. Após muita polêmica e discussão em torno do tema houve uma mudança de legislação e a eutanásia neonatal passou a ser permitida.

A falta de ácido fólico (uma vitamina do complexo B) durante a gravidez é apontada como a principal causa da anencefalia. Para prevenir o médico poderá receitar comprimidos de ácido fólico um mês antes da gravidez e no primeiro trimestre de gestação. Esta substância também é encontrada em verduras como espinafre e brócolis. Mas lembre-se: Qualquer remédio ou suplemento alimentar deve ser supervisionado por um médico.

Referências:

Jornal Zero Hora

REVISTA VEJA

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