sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Novo Tratamento Para os Efeitos da Radiação


Um grupo de cientistas fez uma importante descoberta no tratamento dos efeitos da radiação nuclear.
A equipe de pesquisadores que trabalha no programa RaBiD (Radiation Bio-Dosimetry), financiado pela Agência de Projetos de Pesquisa Avançada para  Defesa (DARPA)  descobriu que a combinação de um antibiótico com uma proteína funcionam de forma muito mais eficiente quando usadas juntas do que em separado. 

 Ao ser adicionada a proteína chamada BPI (bactericidal/permeability-increasing protein, ou proteína de incremento da permeabilidade batericida, numa tradução livre)  ao tratamento convencional com antibióticos já adotado até então pelos médicos, obteve-se resultados surpreendentes no tratamento de ratos expostos à radiação. A taxa de sobrevivência dos animais submetidos a doses letais de radiação chegou a cerca de 80% mesmo quando o tratamento foi iniciado um dia após a exposição.

O fato desse tipo tratamento ser eficiente mesmo tendo sido administrado um dia após o contato dos ratos com a radiação é realmente animador, considerando que os tratamentos até então utilizados tinham que ser  iniciados apenas poucas horas após a exposição a agentes radiativos.
É um avanço muito importante principalmente porque no caso de acidentes com radiação, em conflitos militares, ou outras situações nem sempre é possível que os pacientes sejam atendidos rapidamente.

Ainda mais animador é que em tese o ser humano, em comparação com os ratos,  é muito mais sensível aos antibióticos melhorados com a proteína BPI, o que nos leva a esperar uma eficiência ainda maior nos seres humanos. As medicações utilizadas na pesquisa já são utilizadas normalmente na medicina, inclusive no tratamento de transplantes de medula óssea. Ou seja, já foram aprovadas pelo órgão regulador americano FDA (Food and Drug Administration), o que faria com que esse tipo de tratamento seja disponibilizado em bem menos tempo. Sendo também compostos que possuem um extenso prazo de validade,  eles poderiam ser armazenados em grandes quantidades, o que facilitaria o acesso no caso de um tragédia de proporções maiores.

Os pesquisadores, ainda precisem descobrir as razões pelas quais a combinação da proteína BPI e os antibióticos funcionam tão bem juntos. Mas um outra importante descoberta dos cientistas durante essa pesquisa com ratos foi que esse tratamento além de melhorar a taxa de sobrevivência produz também o efeito de tornar mais rápida a geração de células sanguíneas. Isso teria um impacto logístico muito positivo no tratamento de pessoas submetidas à radiação uma vez que reduziria o tempo de recuperação ou ainda a necessidade de transfusão de sangue nesses pacientes.

Depois do grave acidente na usina nuclear de Fukushima no Japão, cresceu ainda mais entre a população mundial a preocupação com os efeitos da radiação.
No passado, as bombas atômicas lançadas no Japão na Segunda Guerra, o acidente na usina nuclear de Chernobyl, e mesmo no Brasil o acidente com o Césio 137 em Goânia em 1987 ficaram em nossa memória como eventos que afetaram a saúde ou levaram a morte milhares de pessoas.
Essa pesquisa foi o resultado dos esforços da DARPA com o programa RaBiD  iniciado em 2008 e que buscava desenvolver tratamentos que possam ser administrados  12 ou mais horas depois da exposição à radioatividade e que possam alcançar uma taxa de sobrevivência superior a 90% em seres humanos.

Numa época em que cresce a preocupação mundial com países com potencial de utilizar armas atômicas como a Coréia do Norte, Paquistão,Irã, entre outros, a notícia de avanços no tratamento de pacientes submetidos a radiação é realmente muito bem vinda.

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