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domingo, 27 de dezembro de 2015

Gonorreia pode virar doença incurável


A gonorreia pode se tornar-se em breve uma doença incurável, alerta a diretora médica oficial da Inglaterra, Dra.Dame Sally Davies.

Diante do aparecimento na cidade inglesa de Leeds, do que se poderia classificar como 'super-gonorréia' a doutora Davies resolveu escrever a todos os clínicos gerais e farmácias para garantir que eles estão prescrevendo a medicação correta para a doença.

Sua advertência surgiu em virtude da preocupação de que alguns pacientes não estavam recebendo antibióticos suficientes para eliminarem por completo a infecção.

Médicos da saúde sexual disseram que a gonorréia está se tornando resistente aos antibióticos de maneira muito rápida.

Em março deste ano, uma estirpe da gonorreia altamente resistente aos medicamentos foi detectada no norte da Inglaterra.

Essa estirpe é capaz de sobreviver ao antibiótico azitromicina,  normalmente usado juntamente com outro medicamento, a ceftriaxona.

Em sua carta, a médica-chefe disse: "A gonorreia está em risco de se tornar uma doença incurável, devido ao surgimento contínuo de resistência antimicrobiana."

Tratamentos parciais

A suposta combinação de uma injeção de ceftriaxona e  uma pílula de deazitromicina não pode ser sempre usada para todos os pacientes.

No início deste ano, a Associação Britânica para a Saúde Sexual e HIV (BASHH)  já havia advertido que algumas farmácias pela internet vinham oferecendo apenas a medicação oral.

A utilização de apenas um dos dois medicamentos torna mais fácil a bactéria da gonorreia desenvolver resistência.

A carta, enviada aos médicos e farmácias, e que também é assinada pelo farmacêutico-chefe Dr. Keith Ridge, alerta: "A gonorreia adquiriu rapidamente resistência a novos antibióticos, deixando poucas alternativas para as atuais recomendações. Portanto, é muito importante que o tratamento parcial não ocorra"

O que é gonorréia?

A gonorreia é uma doença causada por uma bactéria chamada Neisseria gonorreia. Ela é transmitida através de relações sexuais de forma desprotegida. O contágio pode ocorrer tanto pelo sexo vaginal, oral como anal.

Os sintomas geralmente incluem: surgimento de secreção verde ou amarela espessa nos órgãos sexuais, dor ao urinar e sangramento ocasional.
Muitas vezes a pessoa não apresenta sintomas, mas no entanto, pode facilmente contagiar outras pessoas.

A infecção não tratada pode levar à infertilidade, à doença inflamatória pélvica e pode também ser transmitida ao feto durante a gestação.

Na Inglaterra , a gonorreia é o segunda infecção sexualmente transmissível mais comum, e o números de casos vem aumentando consideravelmente nos últimos anos.

De 2013 para 2014 por exemplo, houve um aumento de 19% no número de casos.

O Dr Andrew Lee, da Saúde Pública inglesa acrescentou que estã sendo investigados uma séria de casos de gonorreia resistente e que a Saúde Pública da Inglaterra continuará a acompanhar, e tomar ações contra a propagação da resistência antimicrobiana e potenciais falhas no tratamento da gonorréia.


Fonte BBC

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Redução da Pressão Arterial traria benefício a todos?


Um estudo divulgado no site The Lancet considera que muitas vidas poderiam ser salvas se todos os pacientes com alto risco de doença cardíaca tomassem remédios para baixar a pressão.

Essa conclusão representa uma guinada nas diretrizes atuais que recomendam tomar remédios para hipertensão somente se a pressão arterial se mantiver acima de certo limite.
Mas os especialistas reconhecem que o estilo de vida têm um papel fundamental para que se mantenha a pressão arterial em níveis mais baixos.

A pressão arterial alta aumenta o risco de doença cardíaca e acidente vascular cerebral (AVC).
As orientações atuais sugerem que os pacientes devem tomar medicação anti-hipertensão quando os seus níveis de pressão arterial chegarem a 140 mmHg.

Até este limite, mesmo pessoas que já tiveram acidentes vasculares cerebrais, por exemplo, são apenas monitoradas, mas sem utilizarem medicamentos.

Agora, uma equipe de especialistas estão alertando para que os médicos se concentrem nos riscos de cada indivíduo, em vez de seguirem rígidos limites pré-estabelecidos para a pressão arterial.

Estudo Abrangente

Os pesquisadores envolvidos nessa pesquisa,  analisaram os resultados de mais de 100 ensaios em grande escala, envolvendo cerca de 600.000 pessoas entre 1966 e 2015.

Eles constataram que os pacientes de maior risco (fumantes com níveis altos de colesterol e pessoas diabéticas com mais de 65 anos de idade) - teriam maiores benefícios com o tratamento anti-hipertensivo, diminuindo seus riscos de terem ataques cardíacos e derrames.

O relatório emitido pelos cientistas, também indica que uma vez sob tratamento, os níveis de pressão arterial poderiam ser reduzidos abaixo das metas atualmente estabelecidas.

Além disso, esse estudo levanta a questão de que, independente dos níveis da pressão arterial, as pessoas poderiam beneficiar-se reduzindo-a seja por mudanças na alimentação, estilo de vida, ou mesmo com a utilização de medicamentos. No entanto, eles não não vão tão longe a ponto de sugerir todos devem tomar remédios, principalmente porque os efeitos colaterais da medicação devem ser ponderados.

O professor Liam Smeeth, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, concordou que as descobertas são importantes sobretudo para aqueles pacientes de maior risco, mas alertou: "Uma advertência importante é que nem todos serão capazes de tolerar ter sua pressão arterial reduzida a níveis baixos, e há uma necessidade de equilibrar os possíveis efeitos colaterais da droga e os benefícios esperados."

O especialista cardíaco Tim Chico, da Universidade de Sheffield, chamou a atenção de que a utilização de remédios não é necessariamente a única maneira de resolver o problema: "Todos podemos reduzir nossa pressão arterial. Podemos fazer isso com segurança, de forma barata e eficaz com uma alimentação saudável, tendo mais atividade física, reduzindo o consumo de álcool, e mantendo um peso saudável."


segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Aspartame, Stevia e Sacarina qual a diferença entre esses adoçantes?


Qual a  diferença entre o aspartame, a sacarina e a estévia?
Qual a melhor opção de adoçante entre o aspartamete, a sacarina e a estévia (ou stevia) ?
Quais os riscos e os benefícios de cada um desses produtos? 
Neste artigo vamos tentar responder algumas das principais questões que rondam esses produtos. 


Stevia

Com muita frequência ouvimos as pessoas dizerem que alguns adoçantes podem causar câncer ou outros problemas de saúde.
A Stevia tem sido amplamente utilizada na indústria de adoçantes "naturais" como uma alternativa muito mais saudável do que o aspartame por exemplo.
No entanto, apesar de suas diferenças químicas, os estudos mostram que as propriedades desses produtos não são muito diferentes. Mas no que eles se diferenciam?


Stevia, aspartame e sacarina

O que é a Stevia? Esta substância, na verdade, é uma molécula orgânica chamada glicosídeo de esteviol, ou esteviosideo, uma substância secundária produzida pela planta Stevia rebaudiana. 
Já o aspartame, é um composto sintético, desenvolvido em laboratório. No entanto, para se extrair a substância, a planta tem que passar por um processo industrial, o que também não é de todo 'natural'.
Em relação a capacidade de adoçar, a stevia parece mais potente que o aspartame, chegando a ser 300 vezes mais forte que o açúcar convencional (enquanto o aspartame é apenas cerca de 200 vezes).

Sacarina

O terceiro adoçante em questão é a sacarina, produto cada vez menos utilizado na indústria de alimentos.
Embora muitas vezes haja uma certa confusão entre aspartame e sacarina, o aspartame vem substituindo cada vez mais a sacarina. 
A razão é que o aspartame tem um maior poder como adoçante, além de não deixar um certo 'gosto amargo' na boca característico da sacarina. 
A sacarina, é uma amida sulfobenzóica, produto obtido a partir do tolueno e outros derivados de petróleo.
Há estudos que avaliam um possível efeito potencialmente perigoso relacionado a irritação da bexiga que poderia levar ao câncer. 
Este possível risco e as demais vantagens dos outros adoçantes citados fazem com que a sacarina seja a opção de adoçante cada vez menos utilizada pela indústria alimentícia. 

Os riscos e benefícios dos adoçantes

Diante do citado acima, surge a pergunta: Até que ponto os adoçantes representam um risco à nossa saúde? 
Mesmo considerando tudo o que se lê por aí sobre essas substâncias, o fato é que não há ainda uma comprovação de que o consumo do aspartame e da estévia tragam riscos à saúde humano.  

O aspartame é uma das substâncias mais estudadas no mundo sendo submetido a testes e estudos constantes principalmente a partir do alerta que levou a suspensão de sua utilização por um certo período há 20 anos atrás. 

Embora ainda não haja nenhum estudo conclusivo sobre os potenciais riscos da stévia ao organismo humano, existem estudos que relacionam 
a stevia com alterações no DNA de células de ratos, o que poderia levar a problemas de saúde relacionados a fertilidade ou mesmo mutações celulares (que poderiam dar origem ao câncer).
Cientistas brasileiros  analisaram o sangue de ratos alimentados com uma solução de esteviosídeo diluída em 
água e identificaram lesões em alguns órgãos como o fígado e o baço. O mais surpreendente para os pesquisadores foi o possível dano ao cérebro dos animais. 
A pesquisa foi coordenada pelo professor Adriano Caldeira de Araújo, do Instituto de Biologia, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), 
com apoio da FAPERJ. Ele teria afirmado que "pesquisadores de diferentes especialidades da área biomédica terão interesse em descobrir por que o esteviosídeo ingerido por via oral, ou o esteviol, um produto de sua metabolização, além de causar inativação de 
células bacterianas, consegue atravessar a barreira hematoencefálica em ratos e causar lesões no DNA de células cerebrais. 
Isso foi detectado por um ensaio chamado Cometa, usado para diagnosticar este tipo de lesões".

DNA

Em outro estudo, entretanto, explicou o professor, o esteviosídeo em contato com o DNA de plasmídeo, se mostrou inócuo. 
"Mas quando penetra em uma célula, como a de uma bactéria presente no nosso trato intestinal, ocorre a sua metabolização e a produção de 
uma outra substância, o esteviol, que é tóxico. Esta substância é, muito provavelmente, a responsável pelas lesões produzidas nas células 
do cérebro dos ratos estudados pela nutricionista Ana Paula da Motta Nunes.
É lógico que não podemos esquecer que esses resultados foram obtidos em ratos. Por outro lado, também é muito importante lembrar que 
a substância esteviol também pode ser formada no organismo de humanos. Isso demonstra a importância de se continuar esses estudos", esclareceu.


Adoçantes e Diabetes 

Já faz algum tempo que surgiram suspeitas de que os adoçantes podem causar diabetes. Vários estudos que mostram cada vez mais 
uma crescente preocupação com a relação entre diabetes tipo 2 e do consumo frequente de adoçantes. 

Alguns médicos e também nutricionistas sugerem que o consumo contínuo e intenso desses produtos pode causar um desequilíbrio metabólico que 
acabará por levar a diabetes. 
O mecanismo segundo a qual essa relação se estabeleceria seriam dois: 

O primeiro, de origem comportamental, os adoçantes fariam com que nosso corpo se preparasse para chegada de açúcar, o que na verdade na ocorre.
Isso poderia resultar num desequilíbrio metabólico tornando-nos mais ansiosos por comer açúcar, que poderia ser aumentado na nossa dieta 
sem que percebamos.

A segunda razão seria o fato de que a microbiologia de nosso sistema digestivo seria alterada pelos adoçantes, tornando-o cada vez mais 
intolerantes à glicose. 
Nos dois casos o resultado seria o mesmo: diabetes tipo II.
As mudanças nutricionais devem ser portanto cautelosas pois nosso organismo leva cerca de 200 mil anos de evolução para adaptar-se a alimentação e mudanças como a introdução de adoçantes ainda suscitam muitas dúvidas se trazem mais benefícios do que problemas à nossa saúde.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Nova droga retarda o avanço do Alzheimer


Foram divulgados os primeiros detalhes de um novo medicamento que pode conter o declínio cerebral provocado pela doença de Alzheimer. 
As informações divulgadas pela empresa farmacêutica Eli Lilly em uma conferência nos Estados Unidos sugere que sua droga 'Solanezumab' pode 

reduzir em um terço a taxa de avanço da demência em pacientes no estágio inicial do Alzheimer. 
Os dados apresentados pela laboratório farmacêutico ainda estão sendo tratados com um certo otimismo cauteloso e espera-se que um novo estudo no ano que vem deverá fornecer as provas definitivas.

Até o momento, ainda não havia sido possível parar a morte de células cerebrais provocadas pelo Alzheimer. O Solanezumab parece ser capaz de  mantê-las vivas.
As drogas utilizadas até então, como o Aricept, conseguem obter melhorias no que se refere apenas aos sintomas da doença. 
No entanto, o Solanezumab ataca diretamente uma espécie de proteína deformada, conhecida como 'amilóide', que se acumula no cérebro dos doentes de Alzheimer.

Acredita-se que a formação de placas de amilóide entre as células nervosas possa levar à morte das células cerebrais. 

Como ocorreu a descoberta 

Embora um estudo com o Solanezumab em 2012 tenha fracassado, essa droga ainda tem sido a grande esperança na pesquisa da demência. Os 

pesquisadores da empresa Eli Lilly ao revisarem os dados de sua pesquisa de 2012, descobriram indícios de que esse medicamento poderia ser útil para pacientes no estágio inicial da doença, reduzindo o avanço da demência em cerca de 34%.

A partir desta análise, a empresa pediu a cerca de 1000 pacientes participantes do primeiro estudo e que possuem grau leve de Alzheimer para que tomassem a medicação por mais 2 anos. 

Eles apresentaram os resultados positivos na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer. Na apresentação eles mostraram que aqueles que tomaram o remédio por mais tempo tiveram o maior benefício.
O Dr Eric Siemers, do Lilly Research Laboratories, em Indiana, acredita que o Solanezumab será o primeiro medicamento real disponível para atuar diretamente contra a doença de Alzheimer. 

Análise

As limitadas informações divulgadas sobre as pesquisas com o Solanezumab não permite que já se  possa comemorar a 'cura do Alzheimer'. No 

entanto ela fornece pistas importantes inclusive para o desenvolvimento de outros medicamentos, uma vez que até então não há nenhuma 

medicação que possa retardar a demência. 
Se essa droga for realmente eficiente, ao menos nos estágios inciais da doença, isso pode resultar em uma nova forma de tratamento e uma 

mudança significativa na maneira como a doença vinha sendo administrada.
Pacientes que iriam piorar ao longo do tempo, com a medicação vão passar mais tempo na fase mais suave da doença degenerativa, diminuindo sensivelmente seu grau de dependência na sociedade. 

Numa área em que as pesquisas tem sido pautadas por repetidas frustrações, o advento dessa droga se constitui num momento realmente emocionante para a medicina.  
No próximo ano, a partir da divulgação de mais dados sobre essa droga vamos saber ao certo se o Solanezumab é de fato o esperado avanço no combate dessa terrível doença. 

Avanço potencial

O Dr Eric Karran, diretor de pesquisa da Alzheimer Research, no Reino Unido, disse à BBC: 
"Se os resultados dessa pesquisa puderem ser replicados, então eu acho que isso é uma verdadeira inovação na pesquisa do Alzheimer.

Pela primeira vez, a comunidade médica poderá dizer que pode retardar a doença de Alzheimer, e isso é um incrível passo adiante."

Ele concluiu afirmando que esses dados ainda não podem ser considerados uma prova, mas eles mostram resultados consistentes na modificação do desenvolvimento da doença. 

E portanto sugerem que nós poderíamos estar à beira de um avanço radical no tratamento do Alzheimer. 
Ele lembra que até então nunca houve provas de que poderíamos parar o avanço da doença.

A Demência em todo o mundo:

44 milhões de pessoas no mundo têm demência
135 milhões terão a doença até 2050
71% deles serão pobres e de renda média
600 bilhões de dólares é o custo global da custo global da demência apenas no Reino Unido (onde as pesquisas do câncer recebem 8 vezes mais 

patrocínio do que o estudo da demência). 
Fonte: Alzheimer's Society

Como mediram os resultados

Na primeira etapa do estudo original (em 2012), que terminou sendo considerado falho, a metade dos doentes com doença de Alzheimer foram tratados com Solanezumab e a outra metade não. 
Uma reanálise dos escores cognitivos dos pacientes com Alzheimer leve, sugeriu que o medicamento havia reduzido em 34% a taxa de progressão da doença. 
A conclusão foi de que o declínio cognitivo observado normalmente em 18 meses levou 24 meses para ocorrer com a droga.

Resolveram então prorrogar o tempo da pesquisa. Ao estenderem a experiência inicial, foram escolhidos 1000 participantes em fase inicial da doença para receberem o Solanezumab. 

Assim, no final do tempo de prorrogação da pesquisa, a metade deles tinha tomado a droga por três anos e meio, enquanto a outra metade tinha tomado por apenas dois anos.

Os resultados mostram que aqueles que tomaram Solanezumab por mais tempo tiveram melhores escores da função cognitiva.
Esse resultado leva a conclusão de que curso da doença foi retardado naqueles que tomaram o remédio.

Se os cérebros de todos os pacientes tivessem continuado a declinar no ritmo normal e a droga tivesse apenas ajudado nos sintomas, então todos os pacientes que participaram na prorrogação - independentemente se tomaram por 2 ou 3,5 anos- teriam tido resultados semelhantes na função cognitiva.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Um vírus pode curar a surdez?

A surdez pode ser tratada com um vírus, dizem cientistas
  
Os cientistas dizem ter dado um passo significativo no sentido de tratar algumas formas de surdez depois de restaurar a audição em animais.

Defeitos no DNA de um bebê representam cerca de metade dos casos de perda auditiva no início da vida.
Um estudo com camundongos, publicado na revista Science Translational Medicine, mostrou que um vírus pode corrigir a falha genética e restaurar parcialmente a audição.

Os especialistas acreditam que os resultados desta pesquisa poderão resultar em novos tratamentos para surdez dentro de uma década.

Uma equipe americana e suíça, focou suas experiências nos minúsculos pelos dentro do ouvido, chamados ‘células ciliares’. Esses cílios convertem sons em sinais elétricos que são então interpretados pelo cérebro. Mutações no DNA pode fazer com que sejam incapazes de gerar os tais sinais elétricos impedindo a pessoa de ouvir.

Terapia viral

A equipe de pesquisa desenvolveu um vírus geneticamente modificado que pode infectar as células ciliadas e corrigir o erro.  Ele foi testado em camundongos com grau severo de surdez, que seriam incapazes, por exemplo, de notar que estão num show de rock  (com os níveis de ruído de cerca de 115 dB).

Embora as injeções de vírus nos ouvidos tenham resultado em uma significativa melhora, a técnica não foi capaz de restabelecer a audição totalmente.  Além de resgatar parte da audição dos animais, a experiência que durou cerca de 60 dias, demonstrou alterações no comportamento deles em resposta aos sons.
Dr. Jeffrey Holt, um dos pesquisadores do Hospital Infantil de Boston, declarou estar muito otimista com as pesquisas, embora reconheça que ainda é necessário cautela para se anunciar que foi encontrada a cura.  Ele reconhece no entanto a importância desta descoberta pois num futuro não muito distante este tratamento poderá utilizado para a surdez genética.

A equipe anda não está pronta para testes clínicos em humanos. No momento eles querem provar que o efeito positivo que obtiveram é duradouro. Eles já sabem que funciona por alguns meses, mas almejam uma solução que seja duradoura para toda a vida.

A terapia viral altera a maioria das células ciliadas internas do ouvido, mas não as células ciliadas externas.
Os cílios internos permitem que se possa ouvir o som, mas os cílios exteriores alterar a sensibilidade aos sons, de modo que o ouvido se torna mais sensível ao reconhecer ruídos mais sutis.

Personalizado

O estudo focou na reparação na mutação em um gene chamado TMC1, que está por trás de cerca de 6% da surdez que é passada de maneira hereditária. No entanto, existem mais de 100 genes já identificados que estão associados à surdez.

Segundo o Dr. Holt, é possível se antever um dia no qual poderemos sequenciar o genoma do deficiente auditivo e então prover um tratamento sob medida restaurando-lhe a audição.
Contudo, adultos que perderam a audição devido a exposição de sons demasiados altos, não poderão se beneficiar dessa terapia.

O Dr. Tobias Moser do Centro Médico da Universidade de Gottingen, na Alemanha, afirmou que resultados são realmente promissores e que a restauração da audição para algumas formas de surdez poderá estar disponível na próxima década.

A cientista britânica, professora Karen Steel, que trabalha no Kings College de Londres, afirmou que este trabalho representa um avanço realmente excitante no nosso entendimento do que poderia ser alcançado usando a técnica de transferência de genes no ouvido interno para reduzir o impacto de mutações genéticas que levam a perda da audição: "Neste momento, a função auditiva é apenas parcialmente resgatada, mas este é um começo e presumivelmente a metodologia poderia ser desenvolvida para melhorar o resultado."

O Dr. Ralph Holme, diretor de pesquisa biomédica na instituição Action on Hearing Loss afirmou que o diagnóstico genético de perda auditiva tem melhorado muito nos últimos anos, permitindo que as crianças e suas famílias entendam a causa de sua surdez e possam prever como ela pode mudar ao longo do tempo. No entanto, os tratamentos ainda estão limitados a aparelhos auditivos e implantes cocleares.

Estes resultados são encorajadores na medida que abrem as portas para outras terapias genéticas, fornecendo a esperança para as pessoas com certos tipos de perda auditiva genética. A esperança é que essa terapia genética possa estar disponível em um futuro não muito distante.


sexta-feira, 10 de julho de 2015

Fumar pode causar esquizofrenia?


O cigarro pode provocar esquizofrenia?

Uma equipe de pesquisadores da universidade de Kings (Londres) afirma que há evidências

muito fortes de que os fumantes estão mais propensos a desenvolverem esquizofrenia e que

fumantes jovens podem acelerar o aparecimento da doença.

Eles publicaram sua descoberta no periódico Lancet Psychiatry, um dos principais informativos

da área de saúde no mundo. Segundos os pesquisadores, após analisarem 61 estudos eles

concluíram que a nicotina pode estar alterando o cérebro de seus usuários. Apesar de

reconhecerem que ainda serão necessários mais estudos sobre o assunto eles afirmam que as

evidências são muito fortes.

O hábito de fumar já vem sendo associado a psicose, embora se admita que parte dessa

conexão seja pelo fato de eu muitos pacientes esquizofrênicos são mais propensos a usar o

cigarro como uma espécie de ‘auto-medicação’, aliviando o sofrimento de ter alucinações e

ouvir vozes.

Depois de analisarem dados de 14.555 fumantes e 273.162 não-fumantes presentes nos

estudos relacionados, os cientistas concluíram que:

57% das pessoas com psicose já fumavam antes de terem seu primeiro surto psicótico

As pessoas que fumavam diariamente foram duas vezes mais propensos a desenvolver

esquizofrenia do que os não-fumantes

A média de idade para o aparecimento da doença entre os fumantes foi um ano menor que

que a idade em que a doença apareceu entre os não-fumantes.

A lógica é de que se houver uma maior taxa de pessoas que fumaram antes de se tornar

esquizofrênicas, então fumar não é meramente um caso de auto-medidcação e sim um fator

importante no desenvolvimento da doença.

O Dr James MacCabe, do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência no King’s College ,

afirmou: "É muito difícil estabelecer o nexo de causalidade [apenas baseado neste tipo de

estudo], o que esperamos é que isso faça com que se abra os olhos para a possibilidade de que

o tabaco poderia ser um agente causador da psicose, e esperamos que isso irá, em seguida,

levar a outras experiências de investigação e estudos clínicos que forneçam provas mais

robustas nesse sentido".

Embora a maioria dos fumantes não desenvolva esquizofrenia, os pesquisadores acreditam

que o cigarro está aumentando esse risco. Uma forte evidência disso é o fato que a incidência

mundial da esquizofrenia é cerca de uma para cada 100 pessoas

A incidência global da doença é de uma em cada 100 pessoas normalmente, o que pode ser

aumentada para duas para cada 100 se considerarmos os indivíduos que fumam.

Já é sabido que a esquizofrenia está relacionada com os níveis de dopamina no cérebro

(inclusive muitos remédios anti-psicóticos atuam diminuindo a ação desse neurotransmissor)

e  que a nicotina também atua alterando os níveis de dopamina, o que pode se relacionar ao

aparecimento da psicose.

O professor Michael Owen, diretor do Instituto de Medicina Psicológica da Universidade de

Cardiff,  afirmou que os pesquisadores apresentaram evidências muito fortes de que fumar

pode aumentar o risco de esquizofrenia: "O fato é que é muito difícil provar a causa sem um

estudo randomizado, mas já há boas razões para a adoção de medidas de saúde pública

envolvendo o tabagismo também para a área da saúde mental."

Consultada sobre o assunto, a organização Rethink, que apoia ações para doenças mentais

afirmou: ”Sabemos que 42% de todos os cigarros na Inglaterra são fumados por pessoas com

problemas de saúde mental, e assim quaisquer novas conclusões sobre a relação entre

tabagismo e psicose é sim algo preocupante. No entanto, mais estudos de longo prazo são

necessários para compreender totalmente este link em potencial."

Fonte:
http://www.bbc.com/news/health-33464480


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Desenvolvida Espuma injetavel para parar hemorragia


 
Um projeto patrocinado pela Agência americana de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA) chamado Wound Stasis System, resultou no desenvolvimento de uma espécie de espuma sintética injetável que é capaz de estancar alguns tipos de hemorragias internas.
 
O invento é considerado de grande importância militar tendo em vista que poderá  ser utilizado para estabilizar a condição de saúde de soldados feridos de forma que possam ser transportados em segurança até o local onde receberá atendimento médico.
 
Em situações de guerra, a rápida estabilização dos feridos pode representar a diferença entre a vida e a morte, já que a própria evacuação da área de conflito pode agravar seu quadro de saúde.
 
Um dos principais problemas são quando as lesões são internas, tornando-se extremamente difícil de conter a hemorragia.
A espuma, na verdade um polímero de poliuretano,  é injetada no paciente na forma de dois líquidos distintos. Ao se encontrarem e se misturarem dentro da cavidade abdominal,  formam um material cuja expansão chega a 30 vezes o volume original. Ao solidificar-se, hemorragia é parada mantendo  em ordem os órgãos até que se tenha condições técnicas de providenciar atendimento médico adequado.
 
Outra característica importante é que essa espuma pode ser posteriormente retirada do corpo por um médico cirurgião em cerca de um minuto, como se fosse uma massa compacta ficando para trás apenas alguns poucos fragmentos. 
Nos testes realizados pela DARPA, o invento conseguiu parar sangramentos graves em lesões internas em no máximo três horas. Isso implicou na diminuição de até seis vezes a perda de sangue durante este período de tempo. A taxa de sobrevivência dos pacientes que receberam a espuma aumentou de 8% para 72% , evidenciando sua promissora eficiência no tratamento de feridos em combate.
 
 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Novo Remédio Cura Vício da Cocaína em Ratos


Viciar um rato em cocaína é fácil, reverter o vício do animal é muito mais difícil. Mas a descoberta de um novo tratamento pode estar mudando essa realidade. Num novo estudo realizado pelo Instituto Scripps e publicado no periódico Science Translational Medicine  é apresentado os resultados de testes que conseguem conter o vício em ratos utilizando uma combinação de dois medicamentos já conhecidos para tratar a dependência de outras drogas.

De acordo com os pesquisadores autores do estudo, os testes realizados utilizaram uma combinação de buprenorfina e naltrexona. E, ao contrário do quejá havia sido tentado em outras pesquisas, desta vez o objetivo não era fazer com que fosse provocada a rejeição ou um mal-estar no viciado. 

Agora o efeito esperado era bem mais direto: conseguir controlar o comportamento compulsivo associado a droga. As duas substâncias utilizadas para controlar o vício dacocaína são velhas conhecidas:  A buprenorfina é considerada uma espécie de substituta da heroína, e a naltrexona já vem sendo utilizada para combater o vício do álcool e do cigarro.
A dependência da cocaína, assim como do haxixe, são duas das mais difíceis de serem revertidas e para as quais não há até então no mercado tratamento eficiente.

Esses dois novos medicamentos atuam estimulando o principal ponto responsável pelo vício: o circuito de recompensa do cérebro. Essa idéia leva em conta o  principal processo responsável pelo início do vício: o ciclo inconsciente de quanto mais prazer, maior a ansiedade em repetir o estímulo provocado pelas drogas. O cérebro pede mais e quando o estímulo não é obtido ele envia sinais de perigo.

Os próximos passos da pesquisa são a repetição de ensaios utilizando ratos. A esperança é de que daqui algum tempo essas pesquisas se estendam aos humanos embora no momento essa hipótese ainda seja remota. 

Mas é um grande alento saber dos avanços nesta área de crescente preocupação atualmente.Sobretudo com o crescente número de viciados em crack, um derivado da cocaína e que tem efeitos ainda mais devastadores na saúde dos viciados.
 A expectativa fica ainda mais promissora se considerarmos que se esses medicamentos estão se mostrando eficientes em conter a compulsão do vício em ratos, que são impulsionados apenas por seus instintos, presume-se que uma pessoa que queira conscientemente largar as drogas consiga êxito em bem menos tempo.
(Imagem: http://sxc.hu)

Via:

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Quando usar gelo ou calor numa lesão ?

O tecido muscular esquelético possui a maior massa do corpo humano, com 45% do peso total.
As lesões musculares estão entre as queixas mais comuns no atendimento ortopédico ocorrendo tanto em atletas quanto em não- atletas.
Essas lesões podem ser desencadeadas por acidentes, como quedas, pancadas e torções, causando impacto direto e danos à estrutura muscular.
Quando ocorre uma lesão, nosso organismo dá início a uma sequência de etapas até a recuperação das fibras musculares. Logo após a contusão, inicia-se a regeneração muscular com a reação inflamatória entre 6 a 24 horas após o trauma. O processo de cicatrização inicia-se cerca de três dias após a lesão, com estabilização em duas semanas.
A restauração completa pode levar de quinze a sessenta dias para se concretizar.
(imagem: sxc.hu)


GELO
O gelo é muito eficiente em inflamações de nervos e em lesões onde houve um rompimento das veias e artérias, causando o inchaço. Nesses casos, o calor poderia aumentar o inchaço, sendo indicado após 48 horas de ocorrência do trauma.

CALOR
O Calor vai ajudar no relaxamento muscular melhorando a mobilidade dos músculos, tendões e ligamentos.
O Gelo atua como um anti-inflamatório, ajudando a relaxar a musculatura pelo efeito analgésico que tem. A utilização do gelo vai reduzir a dor, e o espasmo muscular diminui o metabolismo e o fluxo sanguíneo, bem como o edema, dessa forma, acelerando a regeneração das fibras musculares rompidas. Deve-se ficar atento ao relógio para que a aplicação fique entre 12 a 15 minutos, dependendo da área de aplicação.
Vale também lembrar que os medicamentos anti-inflamatórios de ação local ou sistêmica atuam inibindo a cascata inflamatória e consequentemente a produção de prostaglandinas (responsáveis pela dor, inchaço, hiperemia e calor da musculatura acometida).
A ação local é comum com o uso de aerossóis, géis e emplastros, usados principalmente em lesões musculares agudas como por exemplo contusões e entorses em atividades esportivas.

Diante de uma lesão muscular, é necessário buscar ajuda médica e seguir a prescrição como horários e duração do tratamento.





sábado, 30 de junho de 2012

Apnéia do Sono Aumenta Chance de Desenvolver Câncer

Roncar pode ser muito mais grave do que atrapalhar o sono dos outros.
Pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison encontraram pela primeira vez uma relação entre a apnéia do sono e o o aumento do risco de desenvolver câncer.


O estudo,  apresentado esta semana na conferência da Sociedade Torácica Americana em San Francisco  apontou que quanto pior for a apnéia do sono maior é o risco de morte por câncer.


As pessoas com distúrbio respiratório do sono,  uma condição de saúde que na maioria das vezes está relacionada com a obesidade, tem quase 5 vezes mais probabilidades de morrer de câncer do que aqueles que não têm apnéia.


Ao considerarem fatores fatores como a idade, peso corporal e o vício do fumo os cientistas descobriram que não só a mortalidade por câncer, mas também por qualquer outra causa aumenta significantemente quanto mais grave for a apnéia do sono.

As pessoas que possuem apnéia do sono leve,  tem o risco de morrer de câncer aumentado em apenas 10%  do que as pessoas que não tem apnéia. Já quem tem apnéia moderada possuem duas vezes mais probabilidades de morrer de câncer. Nos estados unidos a apnéia do sono de moderada a grave afeta cerca de 6% da população adulta e vem aumentando a cada ano.  A obesidade é o principal fator de risco para o transtorno.



Crescimento dos vasos sanguíneos


F. Javier Nieto, especialista em epidemiologia e autor do estudo observou que razão para esta relação entre a apnéia do sono e o câncer pode ser encontrado em estudos com animais: a insuficiência do nível de oxigênio no sangue provocado pela apnéia do sono desencadeia o crescimento de novos vasos sanguíneos e este processo, conhecido como angiogênese, pode estimular o crescimento de tumores.


Neste estudo, foram analisados dados reunidos durante 22 anos envolvendo 1.522 pessoas que foram tratadas no Wisconsin Sleep Cohort. A idade média dos voluntários foi de 48, sendo que a maioria apresentava sobrepeso.


Uma outra pesquisa recente já havia mostrado que a apnéia aumenta o risco de pressão alta e doenças cardiovasculares.


"Estas descobertas fornecem pistas para ajudar ainda mais a nossa compreensão da relação entre o sono e a saúde e será importante para entender esses mecanismos, se a associação for confirmada.", disse Susan B. Shurin, diretora do National Heart, Lung, and Blood Institute, uma das financiadoras do estudo. 

Via:
http://www.jsonline.com/features/health/uw-researchers-find-link-between-sleep-apnea-cancer-death-risk-3j5he17-153316185.html

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Seu Gato pode estar lhe deixando louco – O parasita no cérebro


(Jaroslav Flegr, cientista tcheco que afirma que o parasita da toxoplasmose pode controlar nossa mente. Crédito da imagem: Michal Novotný)

O cientista checo Jaroslav Flegr tem feito importantes estudos sobre a possibilidade de que o verme responsável pela toxoplasmose (doença transmitida através das fezes dos gatos) pode afetar o comportamento e até mesmo provocar esquizofrenia em humanos.
Se você acha que essa é apenas mais uma teoria maluca dessas que circulam às pencas pela Internet,  preste atenção no que vai ler a seguir pois os argumentos levantados por Jaroslav Flegr são bastante convincentes e vem despertando o interesse de renomados cientistas pelo mundo.
O cientista checo de 63 anos começou suas pesquisas a partir da  idéia de que  ele mesmo era portador de um parasita no cérebro que poderia estar afetando seu comportamento.  O que parecia ser apenas paranóia  começou a ganhar embasamento científico a medida que suas pesquisas avançavam. As descobertas de Jaroslav são assustadoras.
Será mesmo possível que parasitas transmitidos por gatos possam se alojar em nosso cérebro e afetar nossos pensamentos a ponto de causarem desde acidentes de trânsito até a esquizofrenia?
As suspeitas deste pesquisador,  que a despeito de ter cara de doido possui um respeitável currículo no meio científico, começaram a partir dos anos 1990. Ele começou a suspeitar que um parasita unicelular,  o Toxoplasma gondii, da família dos protozoários, estava afetando de forma sutil sua personalidade. Esta seria a causa para seu comportamento  estranho e  muitas vezes até mesmo auto-destrutivo. 
O PARASITA DA TOXOPLASMOSE
O parasita,  T. Gondii,   excretado pelos gatos através das fezes,   é o micróbio causador da toxoplasmose.  Desde 1920 sabe-se que se uma mulher grávida  é infectada por esse parasita  ela pode transmitir a doença para o feto  podendo lhe causar  danos cerebrais  sérios e até mesmo a morte.
O Toxoplasma gondii é ainda mais perigoso  para  pessoas com imunidade baixa. Esse  problema  foi detectado sobretudo  nos anos iniciais do surgimento da  AIDS,   quando não existiam bons medicamentos anti-retrovirais. Nessa época o T. gondii  foi associado à demência que aflige pacientes de AIDS no estágio final da doença.  
Pessoas saudáveis,  ao contraírem toxoplasmose costumam ter sintomas semelhantes aos causados pela gripe  durante o período que o corpo combate a doença.  Segundo a medicina padrão, após esta fase o protozoário fica então dormente dentro das células do cérebro.
Mas contrariando o que se pensava até então,  o cientista  Jaroslav Flegr,  acha que o parasita "latente" pode  estar na verdade  alterando nossas conexões nervosas tranquilamente, mudando nossa resposta a situações de medo,  a nossa confiança nos outros,  nossa disposição para sair  de casa,   e até mesmo a nossa preferência por determinados aromas.
Jaroslav, que é biólogo evolucionário na Universidade Charles, de Praga,  chega ao ponto de afimar que o Toxoplasma gondii pode estar matando cerca de 1 milhão de pessoas por ano. E essa estimativa ele faz considerando que o parasita por afetar os reflexos e  a sensação de medo, o que pode estar contribuindo para que ocorram certos acidentes automobilísticos e  suicídios além de outros  distúrbios mentais. 
A teoria de  Jaroslav não é recente. Faz algumas décadas que ele a  formulou.  Talvez ela nunca tenha ganho notoriedade principalmente devido a sua dificuldade com a língua inglesa e  ao seu estilo fechado que o leva a raramente viajar para participar de conferências científicas.
Além disso, suas idéias pouco convencionais enfrentariam muita crítica. "Há forte resistência psicológica à possibilidade de que o comportamento humano pode ser influenciado por algum parasita estúpido. Ninguém gosta de se sentir como uma marionete. “ declarou ele.
Mas a pouca aceitação de seu trabalho parece estar mudando. Após anos sendo ignorado ele começa a ser respeitado por vários pesquisadores,   grandes nomes da neurociência como Robert Stanford Sapolsky,  já admitem que os estudos de Jaroslav Flgr são bem conduzidos, e que não há razão para se duvidar deles.
DOMINANDO O COMPORTAMENTO DO HOSPEDEIRO
Estudos  recentes de  Sapolsky e de  outros pesquisadores britânicos sugerem que o parasita é capaz de manobras extraordinárias.   Sapolsky,  relata em seus estudos que o T. Gondii pode inverter a aversão natural de um rato fazendo-o ao contrário de fugir, terminar se aproximando dos gatos, seu principal predador.  E essa transformação surpreendente na cabeça do roedor ocorre porque o parasita reestrutura os circuitos neurológicos nas partes do cérebro que lidam com emoções primitivas como o medo, a ansiedade e a excitação sexual.
O especialista em esquizofrenia, E. Fuller Torrey, que é diretor do Stanley Medical Research Institute, em Maryland declarou recentemente: "Eu admiro Jaroslav por fazer esta pesquisa. Ela não é politicamente correta, no sentido de que muitos laboratórios não estão fazendo isso. Ele fez isso praticamente por conta própria, com muito pouco apoio. Acho que vale a pena considerá-la pois  completamente crível. "
Muitos especialistas sabem que  o T. gondii não é o único parasita que pode manipular o comportamento.  "Meu palpite é que há vários outros exemplos de que isto acontece nos mamíferos, com parasitas que nunca sequer ouvimos falar" diz Sapolsky.

Um exemplo bastante conhecido é o que acontece com o vírus da raiva.  Quando ele já afetou bastante o sistema neurológico de um cão, morcego ou outro animal  a ponto de já estar quase o matando,  ele desencadeia uma fúria no animal ao mesmo tempo que  migra do sistema nervoso para as glândulas salivares do hospedeiro.  Quando então o animal ataca e morde  o vírus é transmitido através de sua saliva para um novo hospedeiro.

Mas a raiva é  um caso raro de alteração de comportamento entre os grandes mamíferos provocada por um parasita. Peixes, crustáceos e alguns insetos  são as vítimas preferidas desse controle mental.  A bióloga comportamental Janice Moore,  da Universidade  do Colorado  afirma que moscas, formigas, lagartas, vespas,  e vários outros insetos tem se  comportando estranhamente devido a ação de parasitas.
A vespa Polysphincta gutfreundi,  por exemplo,  se gruda na aranha de uma erta espécie e lhe deposita um pequeno ovo.  Posteriormente,   uma larva sai do ovo e passa a liberar substâncias químicas que fazem com que  a aranha abandone a contrução de teias no padrão espiral. Ela passa a tecer sua teia girando o fio de forma a criar um casulo que  vai abrigar a larva até que esta atinja o estágio adulto.   
Ainda mais impressionante é que a aranha "possuída"  passa a desenhar formas geométricas que servem para camuflar o casulo da vespa protegendo-o de seus predadores naturais.
ESCRAVOS DOS PARASITAS
Há cerca de  30 anos ,  Jaroslav se impressionou  ao ler num livro do biólogo evolucionista britânico Richard Dawkins  a descrição de  como um certo verme transforma uma formiga em seu escravo,  alterando seu sistema nervoso.  O livro de Dawkins relata que  quando a  temperatura cai, essa espécie de formiga normalmente procura se abrigar no subsolo. Mas quando ela é infectada pelo  tal verme ao invés de descer, ela sobe para o topo das folhas de grama e fica lá em cima dependurada por suas mandíbula.  Assim ela fica exposta à alimentação dos carneiros que as ingerem junto com a grama que os alimenta.  "Suas mandíbulas ficam travadas  nessa posição, então não há nada que a formiga possa fazer a não ser ficar dependurada no ar".   As ovelhas ao ingerirem as formigas contaminadas junto com a grama completam o ciclo de vida do verme.
"Foi a primeira vez que eu tive conhecimento sobre este tipo de manipulação,  isso causou uma grande impressão em mim", diz Flegr.

Depois de ler o livro  Jaroslav  Flegr passou a suspeitar que seu comportamento tinha traços de semelhança com o da formiga imprudente.  Um exemplo disso, ele conta, é quando ele atravessa uma rua movimentada e os carros buzinam para ele. Em vez de sair correndo do caminho dos veículos ele se mantém calmo.  No passado, quando em seu país, a Tchecoeslováquia,  era demasiado arriscado falar  abertamente de política ele manifestava seu desprezo pelos comunistas sem temer ser preso.
Quando seus colegas cientistas se apavoraram durante um tiroteio em um conflito no leste da Turquia ele se manteve bastante calmo.  Durante esses eventos estranhos ele sempre se questionava sobre o que poderia estar acontecendo com ele.
Em 1990 ele ingressou na Universidade Charles, intituição que é referência mundial na pesquisa envolendo os efeitos da Toxoplasmose no corpo humano.  Como a universidade também estava recrutando pessoas para se submeter aos kits de testes para detectar o Toxoplasma gondii, Jaroslav se ofereceu para participar. 
Foi então que descobriu que ele era portador do parasita. Para ele esta descoberta era a chave para compreender sua estranha tendência auto-destrutiva.
INÍCIO DOS ESTUDOS
 Jaroslav Flegr  então começou a dedicar-se com  afinco nos estudos relacionados ao Toxoplasma gongii.  De início ele aprendeu que o parasita depois de eliminado pelo gato através das  fezes, volta a contaminar outros animais que venham a ingerir o pasto contaminado. O parasita  entra  então novamente no organismo de animais como roedores, porcos ou outro tipo de gado indo se abrigar no cérebro ou em outros tecidos  do corpo.

Já o homem  se contamina ao entrar em contato não só com caixas de areia , mas também ao ingerir água contaminada com fezes de gato. Além disso,  comer vegetais não lavados,  comer carne crua ou mal passada são também outras formas de se contaminar com o parasita da  toxoplasmose.

Ele constatou também que os franceses, por sua predileção por bifes mal passados, podem chegar a o índice de 55% da população contaminada. Já os americanos tem o percentual de contamização de 10 a 20%.

Depois de contaminar  uma pessoa ou um um animal,  o parasita  tem que retornar  para o gato,  que é o único organismo que possui as condições ideais para que ele consiga  se reproduzir  sexualmente. É aí que segundo a teoria de Jaroslav, o parasita iniciaria a manipulação comportamental do hospedeiro objetivando completar seu ciclo de vida.

CONTROLE  DA  MENTE

Alguns cientistas já haviam descoberto um estranho comportamento nos roedores infectados pelo T. Gondii que confirmariam as teorias de Flegr. Esses animais , por serem  mais ativos do que os roedores não contaminados, terminam atraindo mais a atenção dos gatos  uma vez que os felinos  são atraídos instintivamente por objetos de movimentos rápidos.  Além disso eles se mostraram menos cautelosos , se expondo mais do que os roedores não infectados.

 Flegr  considera que o homem ,  enquanto mamífero, e por  compartilhar grande parte do código genético dos ratos pode também  estar vulnerável a manipulações comportamentais por parte do parasita.

Ao iniciar sua pesquisa,   Flegr  contou com uma certa ‘sorte’. Ocorre que de  30 a 40% dos checos tem a  forma latente da doença,  e assim foi fácil conseguir  alunos voluntários para  participar.
Ele iniciou testando os reflexos e o tempo de reação dos participantes utilizando um programa  de computador que exigia que apertassem um botão ao verem um símbolo na tela.

Os participantes que estavam infectados pelo parasita tiveram tempos de reação menores que os demais.
Flegr  também percebeu que as alterações promovidas pelos parasitas no comportamento dessas pessoas eram diferentes para homens e mulheres.

Machos infectados  comparados a não infectados eram mais introvertidos, mais desconfiados, e  mais indiferentes às opiniões alheias e mais inclinados a ignorar  regras.

Já as mulheres infectadas, eram exatamente o contrário:  eram mais extrovertidas e mais confiantes do que as não infectadas pelo toxoplasma.

Esses resultados impressionates deixaram Flegr  desconfiado de que  seus dados estavam errados. Repetiu os testes com outros grupos de pessoas e os resultados se confirmaram: existem muitas diferenças  no comportamento de pessoas infectadas e não infectadas pelo T. Gondii. 

A explicação para as diferenças de comportamento entre  mulheres infectadas comparadas aos homens infectados seria segundo Flegr devido ao fato de que sob tensão emocional,  as mulheres procuram consolo através de vínculo social e da educação. Já os homens reagem tornando-se hostis ou anti-sociais.

Ele constatou também que os homens infectados se tornam menos atentos  o que pode prejudicar tarefas como dirigir por exemplo.  Seus estudos comprovaram que as pessoas infectadas tem 2,5 vezes mais chances de se envolverem em acidentes de trânsito.

Dois outros estudos turcos também associam o  Toxoplasma a acidentes de trânsito. Considerando que até um terço das pessoas no mundo podem estar infectadas com o parasita, Flegr  estima que este parasita talvez seja responsável por milhares de mortes anualmente.  Principalmente se for considerado que as pessoas infectadas (assim como Flegr) são menos propensas a sentirem medo em situações de perigo, o que pode levá-las a imprudências ao dirigir.


ALTERAÇÕES NO ORGANISMO

A essas alturas você pode estar se perguntando: Será que não estou infectado pelo toxoplasma também?  Se você como eu, tem gatos em casa, então a suspeita vira uma paranóia. Existem testes específicos para o Toxoplasma que podem ser feitos  caso seu médico ache indicado.

Mas uma das questões levantadas aqui é: Será possível identificar se alguém está infectado pelo T. Gondii apenas observando traços de seu comportamento?
Flegr  afirma que não. Isso porque as alterações que o parasita  causa na personalidade do infectado são bastante sutis.

Uma pessoa  introvertida,  após ser infectada pelo toxoplasma  não vai se tornar subitamente extrovertida. “É impossível de se detectar analisando apenas uma pessoa. No mínimo seria necessário analisar 50 pessoas infectadas e 50 não-infectadas para  notar uma diferença estatisticamente significativa.  A grande maioria das pessoas não tem idéia do que estão infectadas. " afirmou Jaroslav Flegr.
Mas um dos achados mais intrigantes nas pesquisas de Flegr foram em relação a portadores de esquizofrenia. Estas pessoas  apresentam diminuição  em certas partes de seu córtex cerebral. Flegr acha que o protozoário pode ser o responsável por isso.

Num artigo que ele desenvolveu com seus colegas da Universidade Charles, incluindo o psiquiatra  Jiri Horacek,  eles afirmam que em 12 dos 44 pacientes com esquizofrenia  submetidos à ressonância magnética, a equipe encontrou redução da massa cinzenta no cérebro. Essa  diminuição foi constatada  quase  que exclusivamente nos pacientes infectados pelo T. gondii.

Horacek,  chegou a declarar: "Para mim, isso sugere que o parasita pode desencadear esquizofrenia em pessoas geneticamente suscetíveis."

A pesquisa de Flegr ganha ainda mais força ao considerarmos  o trabalho de outros cientistas que apontam para o mesmo sentido. 

Joanne Webster, uma parasitologista do Imperial College London constatou algo ainda mais surpreendente em seus estudos com roedores infectados pelo toxoplasma.

Num experimento eles colocaram nos 4 cantos de uma gaiola  certos odores. Num dos cantos da  jaula  de cada rato colocaram o próprio odor do animal,  no segundo  colocaram água,  no terceiro urina de gato, e no último canto colocaram urina de um coelho (animal  que não é predador dos ratos)

 Diferentemente  do que inicialmente pensavam os cientistas, que o parasita  reduziria a aversão dos ratos ao odor de gato, na verdade o comportamento dos ratos foi de atração pelo cheiro dos gatos. Eles passaram mais tempo nas áreas tratadas com o cheiro dos gatos,  cumprindo uma  certa ‘atração fatal’.








DOPAMINA

Acompanhando a evolução desses parasitas nos ratos através  de marcadores fluorescentes , a doutora conseguiu identificar que o parasita  forma  cistos de forma mais abundantes na  parte do cérebro que lida com prazer (como o sexo nos humanos)  e em outra área que está envolvida no medo e na ansiedade .

Com a ajuda do parasitologista Glenn McConkey,  da Universidade de Leeds,  eles descobriram que o parasita tem dois genes que permitem desencadear a produção do neurotransmissor dopamina no cérebro do hospedeiro. "Nós nunca deixaremos de nos  surpreender com a sofisticação desses parasitas", diz Webster.

Os relatórios das pesquisas de Webster publicados no ano passado criaram um certo alvoroço na comunidade científica. Principalmente devido a suas conclusões sobre como o parasita pode interferir na produção da  dopamina no hospedeiro. 

A dopamina é uma molécula de  envolvida no medo, atenção e no prazer. É sabido que esse  neurotransmissor está presente em taxas elevadas  em pessoas com esquizofrenia.
O princípio utilizado pelos medicamentos antipsicóticos  para acabar com delírios esquizofrênicos é o bloqueio da ação da dopamina.

Mas para Webster isso sugere que o que ela  pode estar realmente fazendo  é agindo sobre o parasita. Partindo de pesquisas anteriores que já indicavam a interferência desses medicamentos no desenvolvimento do T. Gondii, Webster decidiu aplicar o antipsicótico em ratos recém-infectados para ver como eles reagem.

Esses animais não desenvolveram a  esperada ‘atração pelos felinos’ característica  dos ratos infectados pelo Toxoplasma gondii. A conclusão é de que as mudanças comportamentais estavam relacionadas ao efeito do medicamento sobre o parasita.

OUTRAS DESCOBERTAS 

Em uma outra descoberta  realizada no  laboratório de Robert Sapolsky, em Stanfor.d,  o neurocientista e seus colegas descobriram que T. gondii desconecta circuitos do medo no cérebro, que podem ajudar a explicar por que os ratos infectados perdem a sua aversão ao odor de gato.

A  surpreendente pesquisa de Sapolsky, indica  que o parasita ao mesmo tempo que é capaz de "sequestrar parte do circuito relacionado à excitação sexual" no rato macho, provavelmente  aumentando os níveis de dopamina na parte de processamento de recompensa do cérebro.  Assim, quando o animal percebe o cheiro de gato,  em vez do centro do medo ficar ativo,  como seria  esperado em um rato normal, a área que rege o prazer sexual é que se torna ativada. Ou seja, o txoplasma tornaria o odor de gato  sexy aos ratos machos.

O neurobiólogo Ajai Vyas, depois de trabalhar com Sapolsky neste estudo, na época  como um estudante de pós-doutorado, decidiu inspecionar os testículos de ratos infectados, à procura de sinais de cistos. E ele de fato os encontrou lá, bem como no sêmen dos animais. Quando o rato copula, o protozoários entra no útero da fêmea o que resulta na infecção de  60 por cento de seus filhotes antes de viajar até o cérebro e se reproduzir aumentam a chance de ir terminar dentro da barriga de um gato.

Uma das questões importantes levantadas é: Poderia  o parasita da toxoplasmose ser sexualmente transmissível também entre humanos?

Vyas, que agora trabalha na Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura, afirma que esta  é uma  das perguntas que eles pretendem conseguir responder com suas pesquisas.
Os cientistas já descobriram que ratos infectados do sexo masculino, de repente se tornam muito mais atraentes para as fêmeas. "É um efeito muito forte", diz Vyas. "Setenta e cinco por cento das fêmeas preferem ficar  com o macho infectado."

 

PESQUISA PUBLICADA

Flegr  só teve um artigo aceito para publicação que, segundo ele, "prova a ‘atração fatal’ felina também nos seres humanos. Ele afirma que homens infectados, gostam mais do cheiro da urina do gato, (ou pelo menos  toleram mais)  do que os homens não infectados.

Evidenciando que as características da  ação do parasita  possui  diferenças entre os sexos, constatou-se que  as mulheres infectadas têm uma resposta inversa. Elas acham o cheiro ainda mais desagradável que as  mulheres não contaminadas pelo T. Gondii.


DOENÇAS MENTAIS

O neurocientista Sapolsky acha  que a inventividade do parasita na sobrevivência e reprodução da espécie pode até mesmo oferecer-nos algumas vantagens.

Se de alguma forma  pudermos descobrir como o toxoplasma consegue atuar  sobre o sentimento de medo dos animais , esta descoberta poderia nos ajudar a desenvolver tratamentos para pessoas atormentadas por ansiedade social, fobias, e outra doenças relacionadas.

Já a pesquisadora Webster acha que  na grande maioria das pessoas, o parasita não trará muitos  efeitos nocivos. As pessoas  contaminadas vão  demonstrar mudanças sutis de comportamento. Mas, num pequeno número de casos, a infecção pelo Toxo  pode estar ligada a esquizofrenia e outros distúrbios associados com níveis de dopamina. Como exemplo  poderiam ser citados  os transtornos obsessivo-compulsivo, o déficit de atenção e a hiperatividade, além de alterações do humor.

Tem que ser também considerado o fato de que o rato vive de dois a três anos, enquanto os seres humanos podem ser infectados por muitas décadas. Talvez seja esta a razão de estarem causando  estes efeitos colaterais graves nas pessoas. A pesquisadora conclui que temos que ser cautelosos  em subestimar  a ação de um parasita tão comum.
O psiquiatra E. Fuller Torrey concorda, embora veja a questão de um ponto de vista diferente de Webster ou Flegr. 
Após décadas de pesquisas sobre as causas da esquizofrenia, ele tem autoridade para falar sobre o assunto. 

ESQUIZOFRENIA 

"Livros didáticos ainda hoje fazem declarações bobas de que a esquizofrenia  tem sido constante, com a mesma taxa de incidência  em todo o mundo, e tem existido desde tempos imemoriais".
A literatura epidemiológica contradiz  isso completamente:" Na verdade, diz ele, a esquizofrenia não teve um aumento tão siginificante  até a segunda metade do século 18, quando as pessoas em Paris e Londres começaram a manter os gatos como animais de estimação.

A moda de ter gato começou entre poetas e artistas vanguardistas de  esquerda  diz Torrey, mas a tendência se espalhou rapidamente. Coincidentemente com esse aumento  a incidência de esquizofrenia também disparou.
Ele observa que desde os anos 50, cerca de 70 estudos epidemiológicos têm explorado a ligação entre a esquizofrenia e o protozoário T. gondii. Ele conta que quando ele e seu colega Robert Yolken, um neurovirologista na Johns Hopkins University, se debruçaram sobre uma parte  desses relatórios científicos  , sua conclusão veio complementar a descoberta  do grupo de Praga: Os pacientes esquizofrênicos com o parasita Toxo tem menos  massa cinzenta em seus cérebros. 

Torrey e Yolken descobriram que a doença mental é de duas a três vezes mais comum em pessoas que têm o parasita comparadas com outras pessoas da mesma região.

Ambos cientistas acreditam  que estudos com Genoma Humano apontam também para a mesma direção o que poderia explicar por que a esquizofrenia ocorra  em famílias.
Os resultados mais difundidos desta linha de investigação  sugere que os genes mais comumente associados com a esquizofrenia  são aqueles relacionados  ao sistema  imunológico  e sua capacidade de  reagir a agentes infecciosos. Assim, em muitos casos onde a esquizofrenia parece ser de origem hereditária, eles acreditam, o que pode de fato estar de fato sendo transmitida é a deficiência imunólgica  a invasores como o parasita T. gondii.

Eles apontam que a  caxumba, a rubéola e outros agentes infecciosos, também têm sido associados  ao desenvolvimento de esquizofrenia  e que acham provável que ainda haja outros gatilhos ainda  não identificados, sendo que muitos não têm nada a ver com patógenos.

Mas, por enquanto, dizem eles, o parasita da toxoplasmose  permanece o mais forte fator ambiental envolvido na doença. "Se eu tivesse de adivinhar", diz Torrey, "Eu diria que 75 por cento dos casos de esquizofrenia estão associados com agentes infecciosos, e este parasita  estaria envolvido em um subconjunto significativo deles."

Torrey também afirma que  o parasita pode também aumentar o risco de suicídio. Em um estudo de 2011,  em 20 países europeus, a taxa de suicídio nacional entre as mulheres aumentou em proporção direta com a prevalência da infecção latente do parasita Toxo na população feminina de cada  país.
O psiquiatra Teodor Postolache,  diretor do Programa de Ansiedade e Humor da Escola de Medicina da  Universidade de Maryland , relata que vários  outros estudos, muitos deles  conduzidos por sua própria equipe, dão ainda mais embasamento que sustentam a  ligação do protozoário T. gondii  com taxas mais  elevadas de comportamento suicida.

Estes estudos englobam investigações sobre a população em geral,  incluindo grupos constituídos de pacientes com transtorno bipolar, depressão grave e esquizofrenia. Diversos  países e regiões forneceram  informações, abragendo  lugares tão diversos como a Turquia, a Alemanha, e Estados Unidos.
A forma como o parasita  consegue fazer alguém extrapolar  o limite  da preservação da própria vida ainda está para ser determinado.   

Postolache acha que  essa  perturbação no humor e na capacidade de controlar os impulsos violentos pode não ser obra  do parasita em si, mas decorrem de alterações neuroquímicas associadas à resposta imune do corpo a ele. Por mais estranha e complicada que essa idéia possa parecer,  segundo Postolache, a Fundação Americana para o Combate ao Suicídio pretendia financiar pesquisas nessa área.

TER OU NÃO TER GATOS EM CASA?

As pessoas que tem afinidade com felinos (entre as quais me incluo) diante de todo esse conjunto de informações desagradáveis relacionadas a esse parasita,  devem  considerar  que chegou a hora de se livrar dos bichanos?

O próprio  pesquisador Flegr  é contrário a essa idéia.  Segundo ele, os gatos que vivem dentro de casa não representam uma ameaça,  porque eles não carregam o parasita.
Já os gatos que circulam pela rua,  eles eliminam o parasita pelas fezes por apenas três semanas de sua vida, geralmente quando  são jovens e começam a caçar. Durante esse breve período, Flegr simplesmente recomenda tomar cuidado para manter balcões de cozinha e mesas bem limpas. Ele mesmo pratica o que prega: Ele têm dois filhos em idade escolar, e dois gatos que vivem livre para ir à rua e voltar para dentro de casa.

Ainda mais  importante  do que se prevenir quanto a exposição ao protozoário t. gondii,  segundo  ele, é  lavar  bem os legumes  e frutas esfregando-os bem. Além disso é bastante recomendável evitar beber água que não tenha sido purificada,  sobretudo  em países em desenvolvimento, onde as taxas de infecção em algumas regiões podem chegar a 95%.  Deve-se também preferir comer carnes bem passadas ou,  ainda,  congelá-la antes de cozinhar  objetivando matar os cistos.

Mas isso pode não ser suficiente para conter a crescente disseminação desses  parasitas pelo mundo. Especialistas já cogitam adotar medidas mais rigorosas. Vacinar gatos ou outros animais contra T. Gondii pode  ser uma maneira de interromper o seu ciclo de vida, opina Robert Yolken do Hospital John Hopkins.

O objetivo é ir além da simples prevenção. Uma vez que o parasita torna-se profundamente arraigado nas células cerebrais,  tirá-lo do corpo é praticamente impossível: os cistos possuem paredes espessas  inexpugnáveis ​​aos antibióticos.

Mas Yolken e outros pesquisadores já parecem ter encontrado um ponto fraco deste parasita. Como o T. gondii  e o protozoário da malária estão relacionados os cientistas estão tentando encontrar  medicamentos mais eficazes para atacar os cistos.

No momento  a medicina não tem nenhum tratamento capaz de fazer com que as pessoas  portadoras se livrem da infecção latente.  Até que a ciência prove, como alguns cientistas parecem  estar fazendo agora, que o Toxo é realmente muito perigoso,  as empresas farmacêuticas não têm muito incentivo para desenvolver drogas  anti-Toxo.

Yolken é otimista,  ele acha que essa realidade vai mudar. "Para explicar  o ponto onde se encontra a pesquisa sobre o Toxo hoje,  a  analogia que eu sempre faço é a da bactéria  da úlcera.  Primeiro, precisamos  encontrar maneiras de tratar o organismo  e mostrar  que a doença foi embora quando você fez isso. Teremos de mostrar que, quando a infecção do  Toxoplasma for  tratada eficazmente, pelo menos  uma parcela de doença psiquiátrica vai embora. "

CONCLUSÕES 

Mas o protozoário T. gondii é apenas um entre um  incontável número de agentes infecciosos que nos afligem. Janice Moore da Universidade do Estado do Colorado afirma  que muitas outras infecções são capazes de mexer com nossas mentes.

Por exemplo, ela  e Chris Reiber, uma antropóloga biomédica da Universidade de Binghamton, em Nova York, tem fortes suspeitas de que o vírus da gripe pode aumentar o nosso desejo de se socializar.
Por quê? Porque ele se espalha através do contato físico íntimo, muitas vezes antes que os sintomas se iniciem, o que significa que ele deve encontrar um novo hospedeiro rapidamente.

Moore e Reiber monitoraram 36 pacientes que receberam  vacina contra a gripe. A idéia é que se a vacina contém muitos dos mesmos componentes químicos que o vírus vivo o sistema  imunitário da pessoa imunizada deve  reagir como se tivessem encontrado realmente o patógeno.

O resultado observado foi que as pessoas que receberam a vacina  quase dobraram  o número de pessoas com as quais tiveram contato próximo durante a fase em que o vírus é mais contagioso. 
As pessoas que tinham vidas sociais simples e recatadas, de repente decidiram que precisavam ir a bares ou festas, ou se reunir com mais pessoas , relatou Reiber.

Reiber acha que outros patógenos humanos  podem  muito bem estar  fazendo  jogos semelhantes conosco. Ela afirma que, por exemplo, muitas pessoas nas fases terminais da  sífilis e da  AIDS  expressam intenso desejo sexual.  O mesmo ocorreria com pessoas infectadas  pela  herpes.  Com base em suas próprias conclusões,  a cientista acha que ela não ficaria surpresa se estes impulsos vêm do patógeno que está na verdade manifestando sua  vontade de sobreviver.

A pesquisadora conclui dizendo que "Nós encontramos todos os tipos de desculpas para justificar as coisas que fazemos. Nossos genes são os culpados por  fazermos  isso ou aquilo. Nossos  pais são os culpados. Temo que podemos  ter chegado ao ponto em que os parasitas  terão que ser adicionados a lista  de desculpas que temos para nos justificarmos.”


Imagem: Parasita T. gondii, crédito - Dennis Kunkel Microscropy, Inc. / Visuals Unlimited / Corbis Images
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